Brasileira analisa Mia Couto e Albino Moisés na tese de mestrado

 Brasileira analisa Mia Couto e Albino Moisés na tese de mestrado

Não é de hoje que as artes moçambicanas servem objectos de estudo no estrangeiro. Desta vez, uma defesa de dissertação intitulada “Intersecções dialógicas entre A confissão da leoa, de Mia Couto, e a série fotográfica “Muthianas e capulanas de Moçambique”, de Albino Moisés: Focalização e Enquadramento do Feminino”, da autoria de Joseana Stringini da Rosa, jornalista e professora de fotografia brasileira foi apresentada há dias, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) do estado de Rio Grande do Sul no Brasil.  

A série de fotografias foi exposta por Albino Moisés em 2015, na cidade de Belo Horizonte, no Brasil. A mesma faz um interface com a narrativa do romance “A confissão da leoa”, de Mia Couto, tendo dado lugar à tese de mestrado em Letras, enquadrado no Programa de Pós-Graduação em Letras naquela universidade brasileira.

Joseana Stringini da Rosa autora da tese, desenvolveu um trabalho de pesquisa que envolve a representação da mulher retratada na literatura e na fotografia moçambicana. Ou seja, Mia Couto e Albino Moisés convergem num tema comum: a mulher. Ambos apresentam como pano de fundo o universo feminino. Por exemplo, “A confissão da leoa” é inspirada numa experiência real do autor, que teve lugar numa pequena comunidade da província de Cabo Delgado. O escritor explica, nas primeiras notas, que o romance surge de sua experiência como biólogo.

Quanto, às fotografias de Albino Moisés, foi apresentada no Festival de Artes Negras na cidade de Belo Horizonte-Minas Gerais, que contou com a curadoria do senegalês Olúségun Akinruli; projecto gráfico de Maria Luiza Viana e Adriana Araújo (produção executiva). É uma série de 22 fotografias a cores, que faz um hino à beleza da mulher moçambicana. É ainda um tributo à capulana, um dos símbolos mais representativos de identidade moçambicana. As imagens resultaram de viagens efectuadas nas regiões Norte, Centro e Sul do país entre 2012-2015. Para além da capulana, a série fotográfica realça ainda algumas marcas e simbolismos tradicionais, como o “Mussiro” da mulher macua, a tatuagem maconde, as cores e diferentes maneiras de amarrar a capulana etc. 

A exposição, de acordo com o autor, teve, durante a apresentação, grande impacto social e cultural junto do público local, tendo proporcionado uma informação necessária sobre questões culturais do nosso país.

A defesa de dissertação da professora de fotografia Joseana Stringini da Rosa enquadra-se no Programa de Pós-Graduação em Letras e o trabalho de pesquisa durou aproximadamente dois anos. 

Albino Moisés fotografa desde 1990. Em 2013, apresentou a sua primeira exposição “Mwana-Mwana: Pérolas do Índico” em Belo Horizonte, Brasil, sob curadoria de Rosália Diogo. Naquela cidade também orientou um workshop sobre iniciação em fotografia para 164 crianças de escolas de ensino Médio e Fundamental. Em 2014, participa na exposição colectiva “Mulheres da Minha terra”, alusiva ao Dia de África, no Município Presidente Prudente, Estado de São Paulo. Ainda no Brasil, participou num festival de curtas-metragens nas cidades de Ouro Preto e Belo Horizonte, o documentário “Shilambo ashi shetu - esta terra é nossa” que realizou em 2010.

 

 

 

 

 


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