Chiau: parte o homem, fica o sonho

 Chiau: parte o homem, fica o sonho

Calou-se. Não se volta a ouvir aquela voz ao vivo. Gabriel Rúben Chiau: músico, compositor e tocador de vários corações do seu e de outros tempos. O talento começou na meninice, inspirado no pai que gostava de cantar. Ainda cedo, na antiga Missão Suíça, no Chamanculo, o artista foi aperfeiçoar o talento e o dom de pôr no ritmo das palavras o sentimento que mexe com as pessoas.

O alarme da doença que alterou a vida de Gabriel Chiau soou há 19 anos. Em 2000, o compositor ficou doente. Depois descobriu-se que padecia de cancro na próstata. A partir daí o sétimo dos oito filhos de Rúben Chiau passou a receber atendimento clínico. O artista aguentou-se hirto como pôde.

Entretanto, em 2013, as coisas agravaram-se. Além do cancro na próstata, teve de passar a lutar contra diabetes e tensão alta. Para sobreviver, Chiau passou a tomar insulinas. Com isso melhorou e só voltou a enfrentar uma situação grave na primeira semana do mês passado, numa altura em que se encontrava a produzir o seu primeiro disco. Ficou de baixa no hospital. Voltou a recuperar quando os médicos baixaram-lhe o nível de açúcar no sangue. Teve alta depois disso. Ficou uma semana fora. Mas ao fim de uma semana, precisamente no dia em que a Universidade Pedagógica (UP) homenageou-lhe, 24 de Julho, numa cerimónia que contou com a presença de dois chefes do Estado moçambicano, Joaquim Chissano e Armando Guebuza, Chiau teve uma recaída. Logo, foi representado pelos familiares.

Numa situação deveras grave, o músico ficou de baixa no Hospital Central de Maputo (HCM). De quarta-feira até domingo, no hospital, Chiau ainda respirava e abria os olhos. Depois disso, a família começou a preparar-se para o pior. A péssima notícia chegou por volta das 17h20 do dia 31 de Julho, uma semana depois de ter dado entrada ao HCM.

Gabriel Rúben Chiau nasceu a 15 de Novembro de 1939, na então Lourenço Marques, hoje Maputo. Ali cresceu, estudou, trabalhou e, tendo herdado a paixão pela música do pai, foi aprender a tocar na actual igreja Presbiteriana do Chamanculo, ensinado por um missionário. Quando se sentiu preparado para trilhar o difícil percurso da música, com alguns amigos, fundou o conjunto Harmonia, nos anos 50. Essa foi a primeira banda dele. Mais tarde, com o amigo Filipe Tembe (contra baixo), com quem trabalhou nos Caminhos-de-ferro, já nos 60, fundou um quarteto chamado qualquer coisa como Kwekweti (estrela da manhã).

Além dos dois amigos, fizeram parte do grupo musical Salvado Chiau (irmão de Gabriel, guitarrista) e Pedro Fumo (congas).  
Quando integrantes entenderam que deviam investir num novo projecto, Gabriel e a sua “malta” fundaram o grupo Quenguelequezê, já com um artista bem conhecido na altura: Raúl Baza. E não se ficou por aí. A última banda pelo artista criada chamou-se Gabriel Chiau. Com os integrantes, actuou na África do Sul, Ilha Reunião e Inglaterra.

Mesmo a propósito da morte do músico, o antigo Presidente da República, Armando Guebuza, publicou na sua conta de Facebook a seguinte mensagem: “É com um sentimento de profundo pesar que acabo de tomar conhecimento da morte do meu amigo Gabriel Chiau. Eu e a minha família endereçamos as nossas mais sentidas condolências à senhora Cacilda, sua esposa, e a toda família Chiau”.

Gabriel Rúben Chiau teve 10 filhos, dos quais cinco faleceram. Portanto, deixa viúva, Cacilda Mangangela, cinco filhos e um projecto de vida que ainda pode ser realizado pelos seus: lançar o álbum.


 


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