Coluna, Calton e Clarisse: o país para lá do conforto!

Três figuras do desporto, com o “C” maiúsculo como inicial no nome, personificam a contra-mão de uma prática cada vez mais presente nos dias que correm: a corrida desenfreada dos africanos rumo à Europa, atraídos pelo néon, num “salve-se como puder” que tem custado muitas vidas.

São nossos exemplos reais, que têm que ser valorizados.

Mário Coluna

Querido e idolatrado na Europa, Mário Coluna cruzou os céus entre o nosso país e Portugal, em sentido contrário à debandada que então acontecia. Com a Independência Nacional, realizava o sonho de servir e ajudar no crescimento do seu país.

O Monstro Sagrado, que em mais de duas décadas actuou ao mais alto nível na Europa e no Mundo, tendo o nome gravado nos anais da FIFA, manteve no interior de si o verdadeiro desejo de regressar. Assim sendo, e deixando para trás a certeza do conforto, assinou um contrato com o Textáfrica do Chimoio, já como técnico, conquistando o primeiro título de campeão de futebol em Moçambique Independente. Depois foi técnico dos Mambas e Presidente da Federação.

Calton Banze

Saiu de Moçambique em Dezembro de 1988, aos 31 anos, após ter conquistado o título de campeão pelo Desportivo de Maputo. O destino era o Sporting de Lisboa, após rubricar um contrato de quatro anos. Para trás ficava uma carreira ímpar de sucessos. Chegou, lutou e... não se pode dizer que tenha vencido totalmente, porque nunca quis renunciar à sua nacionalidade.

Chegada a hora do regresso, despediu-se de quem tão bem o estava acolhendo, numa festa incompreendida pela maioria dos africanos que acabavam de emigrar para tentar a sorte na Europa. Diziam-lhe: “então nós enfrentamos oceanos, arriscamos as nossas vidas e festejamos a nova vida na Europa. O senhor faz exactamente o contrário”?

Clarisse Machanguana

Foi a única(o) basquetebolista moçambicana a actuar no maior campeonato do mundo da bola ao cesto: a WNBA. É, inegavelmente, uma mulher de fibra que levou o nome do país ao Mundo, tendo actuado para além dos EUA, em Portugal, Brasil, Itália, Espanha, França e Coreia. Representou a Selecção de Moçambique por várias vezes, com destaque para os Jogos da Lusofonia, Macau/2006. No profissionalismo ao mais alto nível, Machanguana completou a sua carreira com 1.813 pontos.

Regressou, criou uma Fundação que leva o seu nome e que se dedica, com amor, carinho e honestidade, a ajudar os compatriotas necessitados. No dia-a-dia, Clarisse tem que dar explicações em redor da sua decisão de regressar, sendo confrontada com a designação de “matreca”.

“Então tu estava bem na América, fizeste um curso superior, eras conhecida e reconhecida, estavas no “bem bom” e voltas para o sofrimento”?

Está claro que nem a resposta, convicta da “Match, apontando os superiores interesses em transmitir conhecimentos, o convívio com a família, a comida, os cheiros e o amor pela origens, convence a maioria.

Três personagens, três exemplos de nacionalismo de verdade. Muitos outros existirão, numa era em que o discurso da auto-estima virou falácia e os valores estão mais virados para o umbigo do que para a satisfação em contribuir para o avanço da Pátria que nos fez nascer.

 


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