Deputados negam que financiam ataques armados

 Deputados negam que financiam ataques armados

As audições no âmbito do auto 1621/2019 começaram às 10h30 desta quarta-feira, nas instalações da Procuradoria-Geral da República, na cidade de Maputo.

Ivone Soares, deputada e chefe da bancada parlamentar da Renamo, foi a primeira a ser ouvida pelos procuradores do Ministério Público e deixou a PGR quase às 12h00, numa viatura disfarçada, de vidros fumados, sem se deixar filmar nem gravar entrevista.

O segundo a ser ouvido foi António Muchanga, também deputado da Renamo. E enquanto decorria a sua audição, às 12h50 chegava o deputado e porta-voz da Renamo, José Manteigas. Quase às 14h30, Muchanga deixava a Procuradoria. Ao aproximar-se da imprensa, baixou o vidro para prestar declarações, enquanto era aconselhado pela advogada a não falar. Instantes depois, desceu da viatura e começou por confirmar o assunto de fundo do caso: os ataques militares no centro do país. “Segundo a digníssima procuradora, há um auto tendente a esclarecer a situação daqueles senhores que apareceram na Zambézia a citar alguns de nós como sendo os financiadores”, disse Muchanga, refutando logo a seguir todas as acusações.

Muchanga afirma que não tem motivos para estar contra o líder da Renamo, Ossufo Momade, até porque “Eu sou assessor do presidente Ossufo, nomeado depois do congresso. Não tenho motivo para me juntar a quem declarou que vai matar Ossufo Momade. Eu fui candidato a governador da província de Maputo, por aceitação de Ossufo Momade, não tenho m0tivo para estar contra ele”, afirmou, acrescentando que “também não tenho motivo para andar em qualquer outra coisa, porque eu trabalhei neste processo da descentralização".

Entretanto, Muchanga critica uma alegada violação do artigo 24 do Estatuto do Deputado, pelo facto de ele e seus colegas deputados terem sido ouvidos sem autorização da plenária ou Comissão Permanente do parlamento. O referido artigo refere que “o deputado não pode intervir em processos judiciais como perito, testemunha ou declarante, salvo quando autorizado pela Assembleia da República ou pela Comissão Permanente”.

“A presidente da Assembleia da República violou o Estatuto do Deputado ao outorgar a Assembleia ela própria, sem comunicar a Comissão Permanente, sem comunicar a plenária da Assembleia, trouxe os deputados para prestarem declarações na Procuradoria. A lei proíbe isso”, disse Muchanga.

Depois das 15h00, era a vez do deputado e porta-voz da Renamo José Manteigas deixar a Procuradoria, acompanhado pelo seu defensor. “Tenho o meu advogado”, disse Manteigas, recusando falar sobre o assunto abordado pelos procuradores do Ministério Púbico.

O seu defensor tomou a palavra e também negou que o deputado Manteigas esteja envolvido no esquema de financiamento aos ataques. “O meu constituinte foi solicitado para prestar esclarecimentos, mas a Renamo distancia-se dos ataques. O partido nunca se envolveu em ataques e o meu constituinte é porta-voz desta formação política”, disse.


OSSUFO MOMADE PROMETE POSICIONAR-SE HOJE

O líder da Renamo, Ossufo Momade, prometeu para esta quinta-feira o pronunciamento sobre a ofensiva da PGR aos quadros seniores do seu partido.

Contactado pela nossa reportagem, esta quarta-feira, Momade remeteu o seu posicionamento para depois de manter encontro com os quadros requisitados pela PGR.

“Ainda não tenho qualquer informação daqueles que foram notificados. Deixe-me ouvi-los por que é que foram notificados, porque até aqui eu não sei, porque nas próprias notificações não vinha o motivo que levou a que eles fossem notificados, por isso, é um pouco difícil reagir sem informações consistentes. Só depois de os ouvir é que posso dizer qualquer coisa”, disse, remetendo a sua reacção para hoje.

 


 

 


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