E o Prémio BCI de Literatura vai para.... “O menino que odiava números”

 E o Prémio BCI de Literatura vai para.... “O menino que odiava números”

Melhor livro publicado ano passado em Moçambique é O menino que odiava números, da autoria do escritor Celso Cossa. Pela primeira vez, o BCI de Literatura premiou um infanto-juvenil.

 

Há meninos e meninos. Uns disciplinados e outros muito traquinas. O menino que anda por aí e que odiava números há-de ser algo por estudar, afinal, conseguiu fazer com que o seu criador levasse para casa um cheque no valor de 200 mil meticais, portanto, muitos números.  O garoto em causa até tem nome. É Laerty, o protagonista da história O menino que odiava números, de Celso Cossa, livro laureado esta quinta-feira com o BCI de Literatura.

A cerimónia do anúncio do melhor livro publicado em Moçambique ano passado realizou-se no Auditório do BCI, na cidade de Maputo, e contou com a presença de alguns escritores cujas obras foram nomeadas para o concurso. Entre eles, o grande vencedor, Celso Cossa, que até chegou depois do anúncio ter sido feito. Mesmo assim, chegou a tempo de receber o cheque simbólico, de receber aplausos e, claro, de proferir algumas palavras também.

Fez-se história. E Celso Cossa esteve atento a isso: “Não conheço nenhum país no mundo cujo prémio de melhor livro do ano foi entregue a um de literatura infanto-juvenil. Agradeço a todos que me ajudaram porque este é um movimento”.

Havendo ou não outro país no mundo com livro infanto-juvenil laureado melhor do ano, uma coisa é certa, esta foi a primeira vez que tal aconteceu em Moçambique. Ao fim de 10 anos de existência, os membros do júri reconhecem uma obra literária escrita para crianças. E se existe quem julgue que escrever para os mais novos é fácil, seguem as palavras de Celso Cossa ditas na cerimónia: “Escrever para crianças é mais difícil do que escrever para adultos, porque os adultos nunca deixam de ser crianças”. Ovação do público. E o autor quase que não diria mais nada porque aos escritores também faltam palavras. Mas disse.

Ora, a acta do júri foi lida pelo presidente, Jorge de Oliveira. Segundo o escritor, a decisão em relação a obra premiada foi unânime, porque O menino que odiava números apresenta-se com uma estratégia literária notável, pelo jogo numérico e por mostrar que a literatura pode interagir com outras áreas de saber.

E os mais curiosos, aqueles que acompanharam e debaterem sobre o BCI de Literatura nos últimos dias, mereceram uma explicação do presidente do júri. Segundo Jorge de Oliveira, as discussões sobre os eventuais livros vencedores ou supostos conflitos de interesse que moveram as redes sociais só aconteceram porque o Prémio BCI de Literatura é muito apetecível e tem crescido bastante. Para o escritor, os debates à volta da iniciativa da Associação dos Escritores Moçambicanos em parceria com o banco BCI é manifestamente positivo.

Da parte do patrocinador do prémio, já agora, veio a grande novidade para próximo ano. Em 2021, o BCI de Literatura também vai distinguir livro revelação e menção honrosa.

Além de O menino que odiava números, Celso Cossa também é autor de Sete estórias sobre a origem de quem come quem, O Gil e a bola gira e A capoeira dos sete pintos.

 

 


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