Inundações e erosão: a reedição de dois velhos problemas de uma cidade chamada Xai-Xai

 Inundações e erosão: a reedição de dois velhos problemas de uma cidade chamada Xai-Xai

Distribuídos por uma cidade com um relevo caracterizado por zonas baixas e altas os habitantes da capital da província de Gaza estão mais uma vez a enfrentar o drama das chuvas. O balanço já aponta para 296 casas inundadas, com um total de 302 família afectadas. Há 116 hectares de áreas de cultivo alagadas e 60 quilómetros de estradas intransitáveis.

“Não temos roupa, não temos uniforme, não temos o que comer, onde dormir e nem cobrir”. A lamentação é de Isabel Mavie, uma adolescente de 17 anos, depois de ver parte da casa onde vivia arrastada pelas águas. É uma das mais recentes vítimas de um problema de antigo. “Apenas sobrevivemos graças a Deus”, introduz Isabel sobre o que aconteceu segunda-feira por volta das 05 horas da manhã. “Estavam a dormir e quando apercebi-me da intensidade da água que tinha entrado no interior derrubei a porta, entrei e chamei-lhes”, detalha o pai da menina Isabel, Eusébio Mavie. “Não passaram cinco minutos e o quarto onde a menina dormia desabou. A sala também e tudo que estava lá dentro foi-se”, acrescenta. Isabel dormia no quarto que ruiu – diga-se que escapou por pouco -, no quarto ao lado estavam seus dois irmãos.

A família Mavie vive numa zona alta da cidade de Xai-Xai. Desde que a chuva começou a cair no domingo a noite o agregado familiar de seis membros não passava dias tranquilos. A erosão é sempre uma ameaça naquela cidade, mas o risco é maior quando há precipitação em grande escala. Duas das imagens que acompanham este texto mostram o que a chuva que passou deixou: paredes foram abaixo, cadernos molhados e louça partida. “Aqui onde estou fiquei sem nada”, reclama o pai de Isabel.

A água que passa pelas zonas altas vai desaguar nas zonas baixas. É lá, por exemplos em bairros como Malhangalene, onde vivem pessoas como as que integram a família Mabote. A água que chega ao terreno dos Mabote’s através de uma conduta de escoamento deixou o quintal da família alagado. Aliás, a água é turva porque passa de uma rua onde a edilidade colocou área vermelha. A casa de quatro compartimentos onde vive sete pessoas está submersa. “Não sofríamos de inundações, porque a água saia por aquele muro. Desde que foram feitas as construções que estão a volta, todos sofremos de inundações”, queixa-se Lucinda Mabote.

Os sofás, eletrodomésticos e outros imóveis estão pendurados. “As minhas coisas estão alagadas. Tivemos que levantar para não molharem. As crianças não tem onde dormir porque os quartos estão alagados. Tiveram que dormir em casa da avó”. Com a situação, parte dos seus filhos parou de ir a escola.

Há ainda registro do mercado grossista de Malhangalene que está literalmente deixado da água e os vendedores foram obrigado a ocupar as bermas da estrada que dá acesso ao local, expondo os produtos a lama sempre que alguma viatura passe. Na Escola Primaria Completa 4 de Outubro estiveram famílias a passarem a noite de terça-feira para quarta-feira, depois das chuvas terem tirado até condições para descansarem nas suas residências.


O DRAMA EM NÚMEROS

Recentemente, a Autarquia da Cidade de Xai-Xai fez o levantamento do impacto do mau tempo sobre a vida dos munícipes e as infraestruturas da capital “gazense”. Há 296 casas inundadas, distribuídas pelos 15 bairros com os quais a cidade conta, afectando a um total de 302 famílias. Além disso há 114 famílias que já foi decretada a necessidade urgente de serem reassentadas. Em termos de áreas de cultivo, há 250 hectares de culturas destruídas, bem como cerca de 60 quilómetros de estradas intransitáveis. “Isso acontece nos bairros e incluindo estradas de ligação entre a cidade de Xai-Xai e a localidade de Chilaulene que está no território do distrito, que estão completamente intransitáveis e outras parcialmente intransitáveis”, diz o edil da Cidade.

“A cidade está numa situação de emergência. Com as chuvas que vem caindo, estamos com um cenário desolador”, reconhece o Presidente do Conselho Autárquico da Cidade de Xai-Xai, Emídio Xavier, acrescentando que “em muitos pontos da cidade e de uma forma geral na maior parte das ruas temos problemas de transitabilidade parcial e em algumas uma intransitabilidade total, pois as vias estão interrompidas”.

Como medida para colmatar a situação, a Autarquia de Xai-Xai e Governo do distrito prevê, nos próximos dias, lançar uma operação para a reposição dos solos nos pontos críticos e assim reabrir as vias. Prevê se igualmente um encontro com o empresariado local para a sua colaboração para o estabelecimento da normalidade.

Segundo Emídio Xavier, brevemente vai começar a demarcação de espaços para as famílias que estão disponíveis a ser reassentadas. “Em quase todos os bairros temos famílias que estão em zonas que deviam ser bacias de concentração de água. Estamos a identificar esses locais e a fazer um trabalho de sensibilização para que as famílias aceitem deixar essas zonas”.

 


 


Contactos

Tef: +258 21 313517/8

Email: opais@soico.co.mz
Local: Rua Timor Leste, 108 Baixa
Maputo- Moçambique