Moçambicanas "ganham a vida" vendendo hortícolas em Johannesburgo

 Moçambicanas

Couve, matapa, coco, amendoim e outras hortícolas são fonte de rendimento para muitas moçambicanas em Johannesburg. Mas diferentemente de Moçambique onde estes produtos são abundantes, na África do Sul geram oportunidade de negócio justamente por serem escassos. A explicação é que há muitos moçambicanos, nigerianos, zimbabwianos e cidadãos de outras nacionalidades que procuram hortícolas para a sua dieta mas dificilmente encontram nas terras sul-africanas.

É por isso que Judite Massuque vende há mais de 10 anos numas das ruas da zona comercial do bairro de Newtown, uma espécie de baixa da cidade em Johannesburg. Os produtos que vende são adquiridos em Maputo, onde vive a sua família. Judite deve regressar a terra natal, pelo menos, uma vez por mês para renovar o stock, a validade do visto, que não lhe permite ficar na África do Sul por mais de 30 dias e matar saudades do seu marido e três filhos.

“Sustento os meus filhos, mando a eles para escola e pago os direitos alfandegários com base neste negócio. É verdade que os sul-africanos não nos querem neste lugar por ser proibido vender e por sermos estrangeiros, mas não temos outra forma de sobrevivência”, conta a mulher de 42 anos de idade.

Aliás, aquela zona é uma espécie de pequeno Moçambique, visto que Judite e suas colegas, que não são poucas, expressam-se maioritariamente em Xichangana, língua da província de Gaza. Zélia Mathusse, outra moçambicana que encontramos no local, também sabe que vender naquele lugar não é permitido pelas autoridades e conta que muitas vezes a polícia municipal arranca os produtos que comercializam. Mas a mulher de 37 anos de idade, natural do bairro de Chamanculo, cidade de Maputo, conta a sua principal motivação: há uma grande diferença entre vender aqui e vender em Moçambique. Por exemplo, o alho que em Maputo custa cinco meticais, aqui está 10 rands, cerca de 45 meticais ao câmbio do dia.

São moçambicanas que apesar de estarem no estrangeiro conhecem bem os desafios da mulher no mundo e em particular em Moçambique. E no âmbito da semana internacional da mulher, celebrada semana finda, deixaram uma mensagem de força as suas compatriotas.

“Eu digo força para a mulher moçambicana e que tenha a possibilidade de sustentar as suas famílias com hostidade”, aconselha Zélia Mathusse. E por sua vez Judite Massuque apela: “que a mulher seja trabalhadora e não dependa de ninguém. Não há mais nada que fazer neste mundo”. Um mundo em que as mulheres prometem continuam a lutar pela igualdade de oportunidades.

 

 


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