Patrocínio depende de quem pede ou do que se pede!

Estamos numa sociedade de trocas de favores: materiais, de influência política, promocional e por aí fora. 

Daí que...

As empresas e instituições de referência na praça, vão empilhando sucessivos pedidos de patrocínio, solicitados pelos mais variados motivos. Jornadas de limpeza, edição de revistas, encontros desportivos ou culturais, comemoração de datas, homenagens a personalidades e por aí fora. Grande parte das cartas, apenas são lidas no sector de marketing ou na secretaria, antes de engrossarem a pilha que nem resposta formal merece.

Há casos de corrupção, nua e crua. O interessado tem um padrinho no marketing de uma grande instituição, faz uma aproximação com o sector que “aconselha” o chefe (quando este não está no esquema) e envia um pedido que representa o dobro ou triplo do que necessita. Escusado será dizer que nestes casos o patrocínio, após ser concedido, reentra para alguns dos bolsos dos que autorizaram.

Mas o notório é que a aquiescência depende mais de quem pede do que se pede. A assinatura da carta ou um telefonema, pesam mais do que o “móbil” do pedido.

Está claro que há acções, por exemplo na área literária, que não podem avançar, devido a uma cada vez maior ausência de hábitos de leitura. Dinheiro para o frango assado ou a cerveja média, rebuscados os bolsos, vai aparecendo. Mas para adquirir um livro ou mesmo uma revista...

 

O drama de vender um monstro... sagrado

Um episódio que consubstancia o que atrás digo, nunca mais me saíu da memória. Foi em 2005 quando lancei o Livro “O Monstro Sagrado” em homenagem a Mário Coluna. Cerimónia no Cine África, com a presença do então Presidente da República Joaquim Chissano.

Imprimi 5 mil exemplares, levei mil para a cerimónia. A sala estava cheia. Venderam-se apenas 40 exemplares, a maioria a partir do ciclo de dirigentes que rodeavam o Chefe de Estado e que queriam ser vistos a pedir o autógrafo ao Monstro Sagrado.

Veio então um verdadeiro dilema: como e onde colocar os outros? Fez-se a distribuição de uma porção pelas papelarias e pelo país fora. O resto?

Aconteceu então o inimaginável. Fiz um telefonema para um dirigente que tinha estado no lançamento, o qual confirmou que comprou a obra, “mas que ainda só tinha dado uma vista de olhos”. Porém, disse que a sua instituição poderia adquirir uma boa quantidade para ofertas, de forma a que os jovens passassem a conhecer a vida de um dos maiores desportistas desta terra.

Tudo acordado, recebi o cheque e fui entregar as obras no local indicado. Semanas depois, com certa mágoa, constatei que os livros “O Monstro Sagrado”, apesar de já pagos, continuavam nas caixas, intactos.

Não sei se ainda lá permanecem...

 


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