“Vamos fazer tudo para que a BAL seja uma realidade este ano”

 “Vamos fazer tudo para que a BAL seja uma realidade este ano”

A essa altura, oito clubes africanos estariam a preparar-se para a fase final da primeira edição da Liga Africana de Basquete (BAL), mas a pandemia da COVID-19 forçou o adiamento da competição organizada conjuntamente entre a FIBA e a National Basketball Association, NBA.

Ninguém esperava que a doença, que causou 348 326 mortes, pudesse condicionar um evento que se espera venha a dar uma nova dinâmica à modalidade da bola ao cesto no continente africano.

Mas, duas semanas antes do início da temporada regular, a BAL anunciou o adiamento do certame devido à pandemia do novo coronavírus.

A temporada regular da BAL teria lugar de Março a Maio em seis países africanos, com a “final four” marcada para Junho, em Kigali, no Ruanda.

O presidente da FIBA África, Anibal Manave, que igualmente é o número um do Conselho da BAL, disse em entrevista ao “FIBA.basketball” que ainda é possível organizar a liga este ano.

“Como organização, actualmente estamos a enfrentar uma situação muito complicada. Ninguém pode prever o futuro. Dependemos das directrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das autoridades de saúde.

Mas vale a pena notar que alguns países [africanos] começam a relaxar as suas medidas de bloqueio, o que é um bom sinal para tornar a BAL uma realidade este ano”, explicou, confiante, Aníbal Manave.

Quando questionado sobre o que lhe deixa com esperança de que a edição inaugural da BAL possa acontecer ainda este ano, mesmo com os alertas sobre uma provável segunda vaga da doença, o presidente da FIBA África frisou: “O que precisamos fazer é retomar o projecto da BAL nos próximos meses, talvez em Setembro. Alguns dizem que a pandemia da COVID-19 pode atingir o seu pico, em África, em Setembro, mas não há evidências disso. A boa notícia é que a maioria dos países continua a combater essa pandemia. A nossa esperança é que a primeira edição do BAL ocorra em 2020. É importante dar a todos os envolvidos um sinal de confiança. Isso inclui clubes, federações locais, patrocinadores e público. E a melhor maneira de transmitir confiança é começar a competição”, observou o dirigente desportivo. Algumas figuras ligadas à modalidade da bola ao cesto alertam que, caso a BAL aconteça este ano, pode haver uma sobrecarga de competições em África, uma vez que a segunda janela de qualificação para “Afrobasket”-2021 está marcada para Novembro próximo. “Estamos a monitorar as decisões de alguns países africanos para ver que tipo de formato da BAL vamos implementar. Temos três cenários.

O primeiro: mantemos o formato original da BAL (temporada regular em seis países e a fase final em Ruanda). Segundo: a BAL pode ser disputada em dois países, com a Conferência do Nilo numa cidade e a Conferência do Saara em outro país. As quatro principais equipas de cada grupo avançam para a fase final em Ruanda. Terceiro: a LBA deste ano é disputada num país num período de duas semanas, incluindo a fase Final. Estamos a trabalhar para encontrar a melhor saída para essa situação”, notou Manave.

O presidente da FIBA-África disse ainda que os clubes reagiram positivamente ao adiamento da competição, porquanto estão cientes da necessidade de se preservar a saúde de todos os intervenientes desta ambiciosa competição.

“É importante mencionar que as 12 equipas da BAL fizeram investimentos significativos, o que revela que as mesmas entenderam o espírito da prova e comprometeram-se com o projecto. Como exemplo, o Ferroviário de Maputo contratou quatro jogadores estrangeiros de boa qualidade para uma única temporada. Isso nunca aconteceu antes na longa história dos clubes. Os clubes demonstraram um enorme interesse em participar da BAL. Esse é um dos motivos pelos quais temos que dar às equipas a oportunidade de fazer história como percursoras da BAL”, revelou Manave.

O antigo presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol acrescentou que “vamos tentar fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tornar a Liga Africana de Basquete uma realidade este ano”.

Uma coisa é certa, segundo Aníbal Manave. “Não queremos cancelá-la. Essas equipas devem continuar a acreditar no projecto da BAL. Esta não é uma situação fácil para nós e os patrocinadores, porque havia alguma expectativa em torno da BAL, mas era uma situação imprevisível. Esperamos continuar a trabalhar com nossos patrocinadores“, asseverou.

 

NÃO ORGANIZAR CAUSARIA PREJUÍZOS AOS CLUBES

O que poderá acontecer se nenhuma solução for encontrada para a organização da temporada regular da BAL nos próximos meses? A esta questão, Manave respondeu nos seguintes termos: “Se não organizarmos a LBA deste ano, isso poderá causar um prejuízo real às finanças dos clubes. Ninguém quer que isso aconteça. As doze equipas e seus respectivos países continuam a reafirmar o seu interesse na BAL deste ano. Obviamente, queremos que isso aconteça, mas queremos salvaguardar o bem-estar de todos. Se a BAL se tornar impossível este ano, certamente teremos que tomar uma decisão para o próximo ano”, notou.

Aníbal Manave ajuntou que o grande problema do basquetebol africano reside no défice de competições. ”O maior problema do basquetebol africano tem sido a falta de competição. Com excepção de um ou outro, a maioria dos países africanos tem um défice nas competições de basquetebol. Isso não é apenas ao nível nacional, mas também internacional. Como podemos ter uma equipa nacional competitiva se os seus jogadores não têm concorrência no mercado interno?”, questionou Manave para depois concluir o seu raciocino.

“Felizmente, as coisas serão diferentes no futuro. A BAL é um projecto integrado. Quando se desenvolve clube, as suas equipas nacionais se tornam melhores. Um dos nossos objectivos é ver, em oito anos, equipas nacionais a lutar por uma medalha no Campeonato do Mundo ou Jogos Olímpicos”. Adiante, Manave abordou a qualidade de arbitragem no continente, considerando que a mesma tem de melhorar. “A maioria dos árbitros africanos não participa de mais de dois jogos nas competições mundiais, o que pode estar relacionado com a falta de competição regular nos respectivos países. A BAL desenha um novo cenário para ajudar o basquetebol em África. O nosso objetivo é desenvolver clubes não apenas ao nível nacional, mas também internacional”, frisou.

Para Manave, a parceria com a NBA é de grande valia. “A NBA é o parceiro ideal para este projecto. Eles abraçaram as nossas ideias e, juntos, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a BAL aconteça este ano. A Nossa parceria com a NBA é operacional. Os jogos da BAL serão disputados sob as regras da FIBA. A nossa parceria com a NBA também envolve arbitragem, o que significa que alguns dos nossos árbitros serão treinados por árbitros da G-League. Os jogos serão oficiados pela G-League e árbitros africanos. Haverá uma oportunidade para os gerentes de clubes e federações treinarem sob os administradores da G-League, a fim de desenvolver suas habilidades gerenciais”, frisou.

 

 


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