10 anos, 60 livros e mais três por lançar… Uma aposta nos infanto-juvenis

10 anos, 60 livros e mais três por lançar… Uma aposta nos infanto-juvenis

Há 10 anos que a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM – CELP) edita literatura. Em uma década de publicação, aquela instituição de ensino já lançou aproximadamente 60 livros, e, ainda este semestre, vai levar às prateleiras mais três títulos infanto-juvenis.  

Um dos livros que será publicado em breve é intitulado O menino que odiava números, de Celso Cossa. Segundo Teresa Noronha, coordenador editorial, a EPM – CELP, tendo constado a falta de livros para leitores a partir dos 10 anos de idade, resolveu publicar o livro daquele escritor, que tem outros dois títulos lançados pela editora: O Gil e a bola gira e A capoeira dos sete pintos.

“Os nossos livros incidiam muito nos mais pequenos e o Celso começou a escrever O menino que odiava números, que acho interessante e que, ao mesmo tempo, fomenta o interesse pelas ciências, a Matemática em particular”.

Ainda este semestre, será publicado O pastor de ventos, da autoria de António Cabrita, poeta e escritor português a viver em Maputo há vários anos. O livro de Cabrita é a busca de um jovem que vive numa cidade em que tudo está em ebulição, portanto, sem paz. O personagem em causa, quando vê os pais a discutirem, tenta fazer alguma coisa. Nisso, surge alguém que lhe diz para procurar e domesticar o seu vento. De acordo com Teresa Noronha, a obra de António Cabrita “é um bocadinho desta metáfora de cada um procurar a sua paz e a transmitir ao próximo”.

Outro autor que vai publicar pela Escola Portuguesa de Moçambique - Centro de Ensino e Língua Portuguesa é Sérgio Veiga. “Ele é caçador e mergulhador, e tem uma experiência muito ligada à natureza”, adiantou Teresa Noronha.

O livro de Sérgio Veiga tem como título As aventuras de Matoco, e revela uma preocupação que o autor tem em narrar histórias a partir de factos reais. Veiga também é autor de O velho e o mato e A primeira vida de Mapichana.

Entre os mais de 50 títulos publicados inicialmente pela Escola Portuguesa de Moçambique, quatro foram considerados Altamente Recomendável no Brasil, ano passado, designadamente: O pátio das sombras, de Mia Couto; Na aldeia dos crocodilos, de Adelino Timóteo; Leona, a filha do silêncio, de Marcelo Panguana; e O caçador de ossos, de Carlos dos Santos. Na percepção de Teresa Noronha, a distinção é muito importante porque dá a conhecer a literatura moçambicana noutros países de língua portuguesa. “O contacto literário não pode ser apenas no sentido de autores brasileiros e portugueses chegarem a Moçambique. Deve ser também no sentido inverso, de dar a conhecer os escritores de Moçambique e de outros países africanos no Brasil ou em Portugal. Outro aspecto, o selo Altamente Recomendável demonstra a importância que é atribuída à qualidade literária dos nossos autores e ao livro enquanto objecto. Sentimo-nos muito satisfeitos por isso”.

Além desse reconhecimento, cinco livros editados pela Escola Portuguesa de Moçambique foram adoptados ao ensino em Portugal: O Pátio das Sombras, de Mia Couto; O casamento misterioso de Mwidja, de Alexandre Dunduro;  Kanova e o segredo da caveira, de Pedro Pereira Lopes (para leitura autónoma do quinto ano de escolaridade); Leona, a filha do silêncio, de Marcelo Panguana; e O caçador de ossos, de Carlos Santos (sugestões de leitura na área da formação de adultos).

Entretanto, no país nada disso aconteceu. “Não posso dizer que fico triste em relação a isso, mas espero sempre que aconteçam coisas melhores daqui em diante. Acho que os caminhos vão se fazendo”, disse Teresa Noronha, revelando que a Escola Portuguesa de Moçambique tem adoptado os infanto-juvenis ao ensino dos seus alunos.

A terminar, a coordenador editorial, sentada voltada de costas para uma estante de livros na biblioteca da Escola Portuguesa de Moçambique, na cidade de Maputo, sexta-feira à tarde, revelou o que considera ser um facto em relação à qualidade dos infanto-juvenis de Moçambique: “francamente, estamos a fazer um caminho importante. Sem falsa modéstia, tenho contactos de Cabo Verde e Angola, Moçambique está muito à frente em termos de produção de literatura para crianças. E isto também tem a ver com quantidade de jovens que têm aparecido a escrever para os mais novos. Estamos num bom caminho”.

Entre os vários autores publicados por aquela instituição de ensino, também estão Ungulani Ba Ka Khosa, Mauro Brito, Rogério Manjate e Hélder Faife.
 

 


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