40 anos de carreira, mesmo propósito: artes plásticas

40 anos de carreira, mesmo propósito: artes plásticas

Já lá vão quatro décadas, desde que P Mourana começou a viagem pelo universo das artes plásticas. Para assinalar a rara efeméride, o pintor da Liberdade, natural da cidade de Maxixe, vai promover as suas obras e o seu imaginário em exposições individuais, em Maputo, nos próximos meses.

As actividades de P Mourana vão iniciar em Março, mas prevê para Junho um momento especial da comemoração dos seus 40 anos de carreira artística. A essa altura, portanto, daqui a seis meses, Mourana vai apresentar ao público a exposição Retrospectiva, na qual, depois de seleccionar as obras produzidas ao longo dos anos, irá reconfigurar o trajecto criativo por si percorrido. A ideia é que os apreciadores das artes em geral e da sua em particular possam compreender por que metamorfoses passou o autor que continua a amar a magia das cores com o mesmo fervor.

A primeira exposição de P Mourana realizou-se em 1979, com Vítor Malate, na altura em que tirava o curso de professor. Entre fantasias e determinação, as imagens da criatividade não foram sempre feitas de cor-de-rosa. Longe disso. Como em tudo, o artista enfrentou momentos menos conseguidos. Dos mais complicados, destaca os anos da década de 80, em que teve falta de material e de oportunidades para se apresentar em exposição. “Veja que, depois da minha primeira exposição, em 1979, só reapareço numa individual em 1993. Aqueles foram anos mais complicados e mais difíceis porque no país também existia uma forma de exclusão dos artistas mais novos, que apareciam com novas temáticas. Agora é diferente. Jovens aparecem espontaneamente e logo recebem apoio, desenvolvem-se e vão crescendo. Antes não era assim”

De acordo com P Mourana, as artes plásticas no país estão com boa qualidade, pois os artistas têm conseguido aprofundar mais conhecimento. Nisso, “penso que a Escola Nacional de Artes Visuais tem ajudado muito na prospeção de jovens artistas. Agora ficou mais fácil organizarmos uma exposição colectiva sem recorrermos sempre às mesmas pessoas. Temos novos valores”. O que não deve faltar, diante da qualidade aparente, é trabalho e organização, mesmo porque o público moçambicano tem ficado mais exigente. Assim sendo, Mourana avança com uma recomendação: “o artista não faz aquilo que é comum, faz algo especial em relação à maioria. Não basta só pegar o pincel e pintar. Uma obra de arte deve ter alma, mexendo com as pessoas”. 

Uma das coisas que mais marcou a carreira artística de P Mourana foi a colaboração com a BDQ Concertos, que lhe permitiu expor suas obras durante a realização de espetáculos musicais de dimensão internacional. “Sempre tive esse projecto de fazer uma exposição de um dia, num espectáculo, unindo a música às artes plásticas. Foi um grande desafios este de colocarmos espectadores a contemplarem telas num evento em que no palco estavam nomes como George Benson ou Richard Bona. Mas nós conseguimos fazer isso com êxito. Isso marcou-me muito nesses quarenta anos que pretendo celebrar durante todo 2019”.

 

A SÍNTESE DE UM TRAJECTO

P Mourana é nome artístico de Pedro Mourana. Nasceu a 14 de Setembro de 1961, na cidade de Maxixe, Inhambane. Desde tenra idade interessou-se pelo desenho. A sua obra exalta o amor, a música e temas ligadas ao meio ambiente. Interessa-se muito no diálogo entre artes plásticas e música. Ilustrou livros de banda desenhada, no Instituto Nacional do Livro e do Disco; ganhou concurso para elaboração do logotipo da CNE. Já expões em seis individuais e em mais de 20 colectivas. Além da BDQ Concertos, conta com apoio da Fundação Sérgio Gago.


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