“A formação foi determinante na criação da política externa moçambicana”

“A formação foi determinante na criação da política externa moçambicana”

“A independência nacional: a definição e a implementação da política externa e da diplomacia”, foi o tema do segundo painel no simpósio alusivo aos 80 anos de Joaquim Chissano. Na sua intervenção, Luís Bernardo Honwana, orador principal do painel, falou dos desafios que a África Austral, em particular de Moçambique, ultrapassar.

“Com a independência nacional, a África Austral deixa de ser uma base logística para a luta e passa a ser o foco para a diplomacia moçambicana. Nos anos iniciais da independência, foi necessário definir a política externa, num contexto em que a África do Sul branca desenvolvia-se num regime de separatismo”, afirmou Luís Bernardo Honwana.

De acordo com o orador, havia, na altura, um exercício que consistia em procurar conhecer bem o inimigo para melhor delinear formas de o combater. A Frelimo e o MPLA se estivessem desistido de apoiar o ANC teriam tido a simpatia do regime de Apartheid.

Um dos sucessos da diplomacia moçambicana foi a sua intervenção nos acordos de Lankaster House, que deram lugar à independência do Zimbabwe, em 1980.

O posicionamento de Moçambique, sob direcção de Samora Machel, de apoio incondicional aos movimentos de libertação, na sub-regiao, especificamente o ANC, aumentou os aliciamentos do regime de apartheid para que Moçambique desistisse desse apoio (lembra-se de uma oferta de investimentos de 600 milhões de dólares em 76, provenientes do Irao) e desencadeou uma acção de bombardeamentos, e outras accoes de sabotagem.

“Há que reflectir sobre o longo período em que as nossas relações externas foram dominadas pela África do Sul do Apartheid. A questão polémica do acordo de Nkomati, os cíclicos de xenofobia…uma mobilização das instituições que fzem parte das relações exteriores seria a melhor homenagem para o presidente Chissano nestes 80 anos de vida”.

Para Hipólito Patrício, antigo embaixador na União Sovietica, fez parte dos agentes implementadores da política externa em Moçambique e segundo ele, com a independência nacional, a política externa de Moçambique foi implementada com base no não alinhamento dentro do contexto da guerra fria que opunha o leste e o ocidente liderado pelos Estados Unido. A agenda de trabalho diplomático sempre cumpriu o tradicional lema de fazer mais amigos e trazer mais parcerias.

“Não sabíamos nada de relações exteriores e diplomacia. Quem sabia era o próprio antigo ministro dos negocios estrangeiros (importa destacar a criação do Ministério dos Negócios Estrangeiros de que fez parte)

 (Joaquim Chissano) e passadas algumas semanas passaram a ser afectados colegas militares” e foi se preenchendo o quadro de pessoal. Na altura foram admitidos jovens de 9ª classe e era difícil. Joaquim Chissano criou um curso de formação de relações internacionais para esses jovens. Os formandos estudaram um ano e avançavam para trabalhar nas missões diplomáticas. A escola evoluiu para ISRI e hoje Universidade Joaquim Chissano. Esses “meninos” inexperientes de ontem, hoje são grandes diplomatas”, relata o embaixador José Rui Mota do Amaral.   

O académico Jamisse Taimo, fez referência ao desafio das instituições de ensino superior, sobretudo na parte concernente a nossa diplomacia.

“O ISRI foi criado com base no modelo de Cuba e Joaquim Chissano apreciou este modelo porque formava pessoas no grau de licenciatura, quando noutras escolas do mundo escolas iguais recebiam graduados”

Em Maio de 1990, o Centro de Estudos Estratégicos Internacionais fez uma conferência que foi interessante porque trouxe varias pessoas da Africa Austral e outras até que não eram amigas para Moçambique, citar o caso de Andre Thomashousen que era assessor do regime de Apartheid e da Renamo…

Arlindo Chilundo – Foi graças à diplomacia do governo do Presidente Chissano que foi a Checoslováquia estudar.

Em 1987 foi convidado para contribuir para o projecto do ISRI que já tinha sido criado em 1986 – trata-se de uma instituição de ensino superior que iria formar diplomatas e técnicos de relações internacionais e diplomatas. Foi convidado a dar História de Moçambique.

Destacou a introdução de disciplinas que permitiram uma formação mais robusta aos formandos.

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