A quem beneficia a carnificina na EN4?

A quem beneficia a carnificina na EN4?

O poder da palavra

Quem falta morrer em acidente de viação na Estrada Nacional Número 4 envolvendo viaturas particulares e os milhares de camiões que todos os dias circulam por aquela estrada, para de uma vez por todas entendermos que a vida das pessoas vale mais que o dinheiro que podemos ganhar em toda a nossa vida?

Quase todas as semanas há pessoas a morrerem naquela estrada vital na ligação entre Moçambique e África do Sul, aliás a mesma é gerida por um consórcio de capitais moçambicanos e sul-africanos, vítimas de acidentes de viação envolvendo, regra geral, camiões pesados e de longo curso e viaturas de particulares. O mais recente envolveu um casal de jovens, recém-casados e com menos de trinta anos. O casal seguia para o trabalho quando sua viatura foi surpreendentemente colhida por um camião, o esposo perdeu a vida no local e a esposa luta pela vida no leito do hospital.

Impávidos vimos a esposa do anterior ministro das Finanças, Manuel Chang, perder a vida nas mesmas circunstâncias, para não falar de outros milhares de moçambicanos anónimos que morrem quando vão a procura do pão-de-cada-dia para alimentar suas famílias.

Não sei se existe no mundo uma estrada com o tráfego de camiões tão intenso quanto a EN4 a passar no coração de duas cidades sem quaisquer restrições. Tal só pode ter alguém que ganha todos dias avultadas somas de dinheiro com o negócio, porque Moçambique e África do Sul têm ligação via linha-férrea que é bastante para escoar o carvão, ferro e outros recursos para o porto de Maputo.

Não faz sentido que tenhamos uma linha-férrea sub-utilizada para pôr milhares de camiões na estrada e matar moçambicanos. Todos nos tornamos cúmplices daquela carnificina e eu me recuso a sê-lo.

Reitero, mas quem afinal tira lucros com a circulação de camiões na EN4? O seu dinheiro vale mais que as mortes que assistimos? Quem põe basta a esta situação? Claro que não há dúvidas que deve ser o Governo, mas onde está o Governo?

Não podemos continuar a assobiar ao lado e fingir que não vemos as lágrimas de diversas famílias que têm de enterrar seus ente-queridos perante o enriquecimento de alguém. A vida de cada um dos moçambicanos vale tanto o quanto a de quem tira ganhos com a circulação de camiões.

No centro e norte do país estão a ser investidos biliões de dólares em obras de ferrovias para escoar os recursos minerais, porquê não se faz o mesmo com a Linha de Ressano Garcia? No mínimo, se não querem perder dinheiro, que se interdite a circulação de camiões durante o dia, melhor entre as 5 horas até as 20 horas. Este facto, cria embaraços e congestionamentos, mas vale a pena isso que a vida das pessoas que se perdem naquela estrada.

Não podemos olhar para esta situação de ânimo leve, temos de nos rebelar quando pessoas morrem por causas que podem ser evitadas. A dor que abala às famílias vítimas daqueles acidentes deve ser encarada como de todos nós. E não podemos nos calar perante esta situação. Nossas estradas não podem continuar a ser corredor de morte.

Descanse em paz Nelson Chinowawa e rápidas melhoras Teresa Nunes Chinowawa. Descansem em paz todos aqueles que foram vítimas destes camiões assassinos. A vossa morte e o sofrimento de todas as famílias vítimas dos camiões da EN4 têm de nos levar a lutar por uma EN4 livre de camiões assassinos. Abaixo o dinheiro de sangue, que enriquece alguns e deixa na miséria milhares de pessoas.

 Que Deus abençoe Moçambique!


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