Acertar o passo com o mundo!

A medida governamental de “fechar as fronteiras' à saída das estrelas nacionais no pós-Independência, não só prejudicou os visados, como impediu o país de continuar a fazer parte do mapa mundial de estrelas, via Portugal, dando continuidade a um ciclo de centenas de astros, com Eusébio, Coluna e Hilário à cabeça.
Mas como “águas passadas não movem moinhos”, há que repensar estratégias, tendo em conta que Moçambique não é uma ilha e, como tal, o que tem a fazer – no desporto e noutras áreas – é, discutindo internamente o que nos interessa, acertar o passo com o mundo.

As janelinhas que se abrem
Duas janelinhas estão entre-abertas nesta altura. A linguagem e a linhagem do realismo devem imperar, impondo-se o pragmatismo. São elas: a oportunidade que a CAF nos concede de sermos representados por quatro equipas na próxima temporada africana e a porta que se abriu através do projecto Black Bulls/FC do Porto, que a ser apoiado e replicado, pode ser a base de uma nova forma de estar e que, aos poucos, permitirá retomarmos um estatuto que já tivemos no desporto-rei.

O “casamento” entre a alta competição, de um lado e o estímulo à iniciação, do outro, pode significar isso mesmo: construção de um “edifício” a partir da base e do tecto, conjugados de tal forma, que a obra se venha a encontrar no meio, para felicidade de todo um país que apesar do seu inegável potencial, se encontra adormecido. Que o digam os “rankings” que nos colocam praticamente no lixo, obrigando-nos a tomar parte nas pré-eliminatórias das grandes competições.

Interesse comum em primeiro lugar
Há imensos erros de percurso a corrigir, há um aprendizado que já vai longo, sobretudo no dirigismo e que se reflecte, pela negativa, no lugar em que o atleta deveria ocupar no centro de tudo, ao invés de ser sistematicamente subalternizado. Isso é o que sucede nos países que apostam no desporto a sério, que conhecem os reais benefícios para a saúde dos seus cidadãos, para as finanças públicas e para a unidade nacional.

A alta competição não é para quem quer, mas para quem aglutina o querer e o poder. No desporto de massas, o interesse colectivo deve sobrepor-se ao individual. Já na iniciação, cada um deve procurar “fazer a sua parte”, na aldeia, no bairro, no distrito e por aí fora, sabendo que essa acção terá peso na descoberta e motivação de novas estrelas.

Nunca é tarde para se dar à volta e acertar o passo com o que se faz lá fora. A velocidade no mundo é alta, compete-nos acompanhá-la, não só a partir do sofá. As oportunidades estão aí. Há que buscar novas parcerias e acertar o passo com o mundo.
A juventude merece. O país agradece!

 


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