Adérito Maundze expõe “Mulheres no espaço público”

Adérito Maundze expõe “Mulheres no espaço público”

A Minerva Central acolheu, nesta quinta-feira, uma exposição fotográfica intitulada “Mulheres no espaço público”, imagens feitas pelo fotógrafo moçambicano Adérito Maundze. São imagens que retractam o dia-a-dia de trabalho das mulheres que residem na cidade e província de Maputo.

A ideia surge depois de Adérito acompanhar a rotina de trabalho da dona Cacilda, vendedeira de refeições no mercado Mandela, na baixa da cidade, desde a compra dos legumes e carnes, confecção dos alimentos até chegar ao prato do cliente.

A jornada laboral da dona Cacilda é semelhante a de outras mulheres que trabalham no sector informal, o que inspirou o fotógrafo a capturar imagens, no seu espaço de trabalho. “Ver o trabalho da dona Cacilda chamou a minha atenção, parei para ver o trabalho duro que as mulheres fazem todos os dias, por isso as considero heroínas”, afirmou.

Paula Magaia, que foi ver a exposição, diz que o trabalho das mulheres é visível e isso deve ser valorizado, melhorando primeiro as condições de trabalho no seu sector, desde melhores condições de transporte até melhores condições nos mercados. “Vemos todos os dias as mamãs no mercado, o que estas mulheres querem é sustentar suas famílias e isso é trabalho digno”, acrescentou Paula.

Para tornar o momento mais especial, o evento contou com a performance da Banda As Marias, que abrilhantaram os convidados com a interpretação de “avasati” da artista moçambicana, Mingas.

“Pensa-se que as mulheres fazem menos”
Logo depois do momento cultural, seguiu um momento de reflexão sobre o papel do sector informal no empoderamento das mulheres, que contou com Boaventura Veja, representante da ONU Mulheres e Armindo Chemane da Associação da Economia Informal de Moçambique (AEIMO).

Para Boaventura, é necessário que o esforço das mulheres, no seu dia-a-dia, seja registado e formalizado, obedecendo as especificidades do sector, para que haja evidências claras do quanto contribuem para a economia nacional. “Pensa-se que as mulheres fazem menos, porque estar no sector informal deixa-as de fora no processo de tomada de decisão”, acrescentou.

Armindo Chemane falou da importância que todos devem dar às mulheres do sector informal, convidando a todos os estudantes a fazer sua parte, a partir da sua área de conhecimento, ajudando-as a elaborar melhor as contas, a registar-se no INSS e demais aspectos que possam tirá-las de um lugar vulnerável.

Os convidados tiveram muito interesse no evento, que foi considerado diferente, porque além de uma exposição de fotografia, complementou-se a componente reflexão em torno do tema já trazido pelo fotógrafo.

Faizal Arsénio disse que estar no evento foi uma grande oportunidade para reflectir no que acontece no dia-a-dia das mulheres do sector informal. “Não se trata de algo distante do dia-a-dia das mulheres, mas ainda não tinha parado para pensar no meu papel para ajudar”.

Neusa de Almeida, como empreendedora, considerou o evento um passo importante para discussão e apresentação de propostas de soluções para amenizar a jornada árdua de trabalho que as mulheres são sujeitas para sustentar as suas famílias.

A exibição “Mulheres no espaço público”, que é organizada pelo Centro de Estudos Interdisciplinares de Comunicação, vai terminar a 27 deste mês.

 


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