Algo vai mal no reino do Galo

Em 2003, o partido MDM consolidou, nas eleições autárquicas, a posição de terceira força política nacional, espaço que tinha começado a conquistar cinco anos antes, nas eleições gerais, onde tinha conquistado oito assentos na Assembleia da República.

A posição consolidada nas autarquias de 2003, com a conquista de quatro autarquias, foi uma espécie de crescimento natural de um partido que soube aproveitar os espaços abertos pelas retecências da Renamo e o desgaste da Frelimo.
Estes foram, em parte, os factores bem aproveitados pelo Galo, que soube ainda enamorar o eleitorado jovem, com um charme de galã e promessas de um “Moçambique para Todos”.

O Galo chegou às eleições de 2014 e continuou a beneficiar do estado de graça e do embalo dos ciclos anteriores. Com mais deputados, consolidou-se como a terceira maior força parlamentar, ainda que, no global, os resultados eleitorais ficassem aquém das expectativas que vinha até então gerando.
Cronologia à parte.

O facto é que, desde o ano passado, os sinais começam a mostrar que algo vai mal no reino do Galo.
Nascido e “abrigado” a assumir posição de adulto em corpo de criança, começa agora a denotar uma espécie de crise de adolescência. Um adolescente que se assumiu adulto com uma identidade por consolidar e ideologia política por alinhar junto da sua base de militância, que se foi agregando ao ritmo de um embalo eleitoral.

As clivagens mal resolvidas com o então edil de Nampula, Mahamudo Amurane, os questionamentos à liderança feitas a vários tons por quadros superiores do partido, a mal gerida situação do “tocovismo” e o silêncio quase ensurdecedor do Rei Galo mostram um futuro sombrio.

Com os punhais a serem afiados para o conclave de Dezembro em Nampula, tendo pelo meio as intercalares no mesmo município, tudo conspira para que os próximos meses sejam de muito sururu no reino do Galo.

Mais desafiante ainda, e com o regresso da Perdiz nos próximos ciclos eleitorais, o xadrez político nacional parece estar a dar a entender que o palco terá menos espaço para mais dançarinos.    


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