Álvaro Taruma submete projecto de livro no Uganda

Álvaro Taruma submete projecto de livro no Uganda

Taruma pretende, nos próximos tempos, que os seus livros ultrapassem a fonteira da língua e possam ser lidos em mais países africanos.

 

Ndeje, Entebbe. 20 graus e céu muito nublado. Mais à frente, o enorme lago Vitória quase engole a visão de quem o contempla. Um poeta moçambicano esteve diante daquele universo líquido, naquela circunstância, a ponderar o que fazer de um projecto de livro inédito. Na verdade, como que inspirado pelo Vitória, a decisão foi rapidamente tomada. Aproveitando a passagem pelo Uganda, onde esteve a formar-se em assuntos editorias, ocorreu a Álvaro Taruma lá deixar um livro para ser editado naquele país e com financiamento local.

Trata-se de um livro de poesia, ainda inacabado, mas que o autor de Matéria para um grito pretende que fique nas prateleiras de Kampala e de todo o Uganda, até porque “nesta região de África, o mercado ugandês lidera em termos de produção. O Uganda publica em média 100 livros por ano, entre ficcão e não ficção. Os países vizinhos como Quénia, República Democrática do Congo e Tanzânia dependem muito do Uganda para a impressão dos livros”.

Poucos dias e passeios pelas livrarias ugandesas foram suficientes para Taruma constatar as potencialidades literárias daquele país. E mesmo a propósito de Quénia, a partir de Uganda o poeta foi convidado a participar no Festival Literário de Nairob.

Taruma pretende que o livro bilingue (português e inglês) que irá submeter para publicação no Uganda seja apresentado próximo ano no Quénia. Com isso, a ideia do poeta é levar a sua escrita ao maior número de leitores possível e, assim, implementar os ensinamentos apreendidos na formação sobre assuntos editoriais.

Segundo observou Álvaro Taruma, apesar do clima chuvoso e frio, Entebbe e, sobretudo, Ndejje, onde esteve, “é uma cidade uniforme de crescimento horizontal, com uma sucessão de colinas de onde se vê o majestoso lago Vitória”, certamente uma inspiração para novas produções.

Ora, na formação em que Taruma participou, estiveram presentes autores jovens, com mais ou menos dois livros publicados, do Malawi, Zâmbia, Uganda e Zimbabwe. Os mesmos autores tiveram quatro principais facilitadores: Otieno Owino, editor do Quénia e responsável pelos conteúdos da formação; Crystal Rutangye, editora ugandesa, residente na Escócia; Abu Ndengwa, autor e editor de livros a viver em Mombaça, Quénia; Oscar Ranzo, autor dos EUA; e Kizza Racheal, coordenadora do projecto formação.

Entre os vários conteúdos lecionados, Álvaro Taruma e os colegas da escrita aprenderam sobre “Escolha e implicações do tipo de edição: edição de autor ou editora?”, “Escolha do tipo de livro: ficcão ou não ficção?”, “Perspectiva da arte editorial”, “Fases da edição: edição estrutural, edição de texto e prova”, “Partilha de experiências editoriais por cada país” e “Processos de design, ilustração e impressão”.

No Uganda, Álvaro Taruma participo na oficina de treinamento e mentoria em matérias de literatura a convite da African Writer Trust, entidade que lida com 30 países em África. No evento, o poeta foi o único autor de língua portuguesa.

 


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