Artes e letras assinalam 15 anos sem José Craveirinha

Artes e letras assinalam 15 anos sem José Craveirinha

Passam hoje 15 anos depois do desaparecimento físico de José Craveirinha, um dos maiores poetas e escritores nacionais. Nascido a 28 de Maio de 1922, na então cidade de Lourenço Marques, actual Maputo, tornou-se desde o início da juventude, uma referência no que a literatura diz respeito.

Ainda adolescente, começou a frequentar a Associação Africana. Colaborou n’O Brado Africano, uma das históricas publicações do período colonial, que se distinguia pelo foco à população mais desprotegida.

Trabalhou no Jornal Notícias, onde se destacou pelas suas posições contra o racismo.

Entre 1964 e 1968 esteve preso, pela sua ligação à FRELIMO.

A sua primeira obra, intitulada Xigubo, foi publicada em 1964, através da Casa dos Estudantes do Império, em Portugal.

Na obra “O Grito e O Tambor” Craveirinha começou a reflectir a sua consciência política. Críticos literários de então, classificavam a sua poesia como de um carácter social que reflectia, de forma profunda, o povo moçambicano. 
Recebeu o Prémio Camões em 1991 e condecorações dos então presidentes de Portugal e de Moçambique, Jorge Sampaio e Joaquim Chissano respectivamente. 
Um ano antes da sua morte Craveirinha foi galardoado com o prémio “Vida Literária” da Associação de Escritores Moçambicanos, e, no dia 28 de Maio de 2002, foi homenageado pelo governo, na sequência da iniciativa de consagrar o ano de 2002, como o ano José Craveirinha.

“José Craveirinha é o nosso escritor mor”, Armando Artur

Penso não haver dúvida de espécie alguma que José Craveirinha é o nosso escritor mor. Craveirinha, através da sua poesia, conseguiu ser um escritor multidimensional, facto este que o torna singular, a ponto de não podermos o encarar de outra forma, senão como o maior escritor de Moçambique. E eu digo mais, o maior escritor de todos os tempos do nosso país.

É preciso notar que ele marcou os três mais importantes períodos da história recente de Moçambique: da resistência colonial, da luta de libertação nacional, e do pós-independência. Aliás, não é por acaso que o Estado o agraciou com o título de Herói Nacional, sendo, por isso, tido como o representante máximo da literatura moçambicana.

A marca do verso de Craveirinha, com efeito, renova a estética da nossa poesia, influenciando até os dias de hoje, não só a poesia como também a prosa moçambicanas.

Realmente a dimensão de um escritor só pode ser avaliada pelo nível de influência que exerce nos demais, e Craveirinha consegue atravessar as diversas gerações da nossa literatura, firmando assim e a cada dia que passa a sua grandeza.

 


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