Artur, Sem medo de “semear guerras”

Semedo saíu daqui para jogar em Portugal. Por lá, fez o curso de treinadores. Regressou com estranhos galões que lhe outorgaram o direito de catalogar, a nós que “não saltámos o arame”, de cidadãos cujos cérebros definharam, de tal forma que os nossos raciocínios terão parado, no espaço e no tempo. De facto, a nossa passividade perante um semear de guerras contra tudo e todos, parece dar-lhe razão. Uma recolha dos posicionamentos deste treinador, conferem ao leitor a possibilidade de fazer o seu julgamento.

Uma citacão: Foram estes briosos jogadores, que fizeram de mim treinador – Bruno Lage, técnico do Benfica de Lisboa, equipa campeã de Portugal.

O antípoda, “made in Semedo”: Este plantel não vale nada. O treinador é que lhe dá dimensão e isso permite-lhes sonhar com o título.

OS RECADOS DO SEM... MEDO

O auto-elogio:
Como treinador, tenho o quarto nível. Esta qualificação dá-me a possibilidade de treinar qualquer equipa do espaço europeu. Ou seja, posso treinar o Real Madrid, o Barcelona ou o Bayern de Munique. Por cá, escolho os clubes que quero treinar e, por causa desta assumpção, tenho merecido da parte dos meus detractores muitas críticas. Na verdade, não faço escolhas marginais, pois com todo o capital e experiência que colhi ao longo da minha carreira, cheguei a uma encruzilhada tal que me permite, claramente, escolher os clubes em função das pessoas que o dirigem. Sendo assim, escolho as pessoas com quem quero trabalhar.

Sobre o nosso futebol

O futebol moçambicano é uma grande comédia, uma fraude. Os gestores são uns trapaceiros. Como é que posso estar zangado com um futebol medíocre? Não estou zangado, se estivesse tê-lo-ia abandonado há muito tempo. Não voltei para pedir favores de qualquer espécie, pelo contrário, vim dar muito da ajuda que este futebol precisa porque, na verdade, rege-se por lei e comportamentos ainda demasiados primários. Chamem-me arrogante ou o que quiserem, mas estou acima deste futebol. Não é ele que vai prescindir do meu trabalho. Não voltei para pedir favores de qualquer espécie, a ninguém.

Aos colegas de profissão:
O que sei é que alguns se proclamam grandes treinadores, apenas porque ganharam mais títulos do que os outros... Hoje, o primeiro critério é de um treinador submisso, que faz as vontades das direcções, que não questiona nem põe em causa a vida dos clubes, que oculta tudo o que põe em causa o seu trabalho. Por isso, estamos como estamos.

Aos árbitros:
Devo dizer que os árbitros são apenas instrumentos. Já apanhei uma suspensão de dois meses sem ter feito nada.

Aos dirigentes:
No nosso futebol há alguns personagens que surgem como os mais influenciadores do próprio sistema. Eles conseguem aglutinar, à volta de si mesmos, todos os conceitos de futebol, usando, algumas vezes, o seu poderio financeiro. Há pessoas que têm feito de tudo, para que eventualmente eu abandone o meu país, sentem a minha presença como um incómodo por defender as causas do futebol.

À Comunicação Social:
A imprensa nunca teve tempo nem espaço como agora para retratar coisas do nosso futebol, porque as críticas que tenho feito, ajudam os próprios jornalistas a exercitarem-se no sentido de contrariarem tudo o que vou dizendo e por vezes corroborarem. Portanto, penso que estou a ajudar muita gente, de facto”. Recentemente: “deixo o resto para os comentaristas da STV, embora não lhes reconheça idoneidade técnica para isso”.

Ao país:
Ser competente, é um problema neste país. Não querem que eu trabalhe neste “futebolzinho”. O mundo não é só Moçambique, por isso estou à vontade para trilhar os caminhos que sempre quis e quero. Não voltei ao meu país para ganhar dinheiro, se fosse para ganhar dinheiro não voltava.

OS MISTERIOSOS GALÕES

Decorria o ano de 2005, quando Artur Semedo me procurou, pedindo-me para o entrevistar de forma a ser conhecido no país. Na altura, aparentava ser “um soldado raso”, em busca de afirmação, no regresso de Portugal, onde protagonizou uma carreira com altos e baixos, que foram desde o Oliveira do Hospital (quem conhece este clube?) até ao Marítimo, onde brilhou.
Volvidos menos de cinco anos, já possuía “galões”que lhe permitiam chamar de “futebolzinho” e de “jornaleiros” aos que o receberam. Aos colegas de profissão, dizia que lhes faltava capacidade para chegarem ao nível de declarações que fazia.

E até pode deduzir-se que está por cá, como que por favor, pois considera-se melhor que Mourinho.
Recordemos:
“Nunca disse que eu era o Mourinho de cá. Acho que é uma declaração menor. Não me inspiro nele. Mas gostaria de dizer que se alguma semelhança se pudesse estabelecer, que fosse ao contrário, pois ele aparece depois de eu fazer certas constatações. Porque é que eu tenho que me comparar a Mourinho e não o contrário?

CERNE DA QUESTÃO:
O NOSSO DEIXA FALAR

Fica-se com a impressão de que Artur Semedo, pela lábia, ganhou um estatuto especial. É-lhe permitido o que não admitimos a outros cidadãos. Faz declarações inaceitáveis. Daí que, com o nosso encolher de ombros, na Comunicação Social e não só, sejamos todos cúmplices do “Semedismo”, pois ele até é... bom treinador!

Estamos a falar de quê?  
Orientar (mesmo com qualidade) treinos e jogos de uma equipa, não outorga por si só, o título de BOM treinador, que se atribui a Artur Semedo. Há muitas mais qualidades a exigir a um condutor de homens, no cada vez mais difícil caminho para se chegar aos triunfos no desporto-rei.

 

Exemplos, são muitos. No topo, o luso-moçambicano Carlos Queirós, homem afável, com currículo mundial, que evita confrontações idênticas às que estamos a reportar. Sobretudo com árbitros e jornalistas. Os porquês, são óbvios. Uns têm o apito e os outros, a caneta. Não se trata de submissão, mas de respeito e independência pela actividade de cada um.

No caso dos técnicos de alto nível, a função de correr ao lado dos jogadores, saber do seu estado psicológico ou de saúde, é cada vez menor, pois é desempenhada por outros profissionais que fazem parte da sua equipa técnica. Ao mister, compete coordenar, definir tácticas, projectar, estudar os adversários e, sobretudo, estabelecer pontes e relações com os outros actores da modalidade, de forma a que daí resultem vantagens para o seu clube.

CALADO, ÉS UM POETA...

Por melhores capacidades e “quartos níveis” que tenha, Semedo, um técnico em permanente busca de inimigos, vive o inverso de um velho ditado. Na verdade, ele “semeia ventos, para colher frutos”. É isso que explica o rodopio deste técnico, por vários clubes, com pouca glória e não menor isolamento. Cito, para terminar, um título recente, contido neste jornal: “Semedo, calado, tu és um poeta”!


 

 


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