Assim vai o desporto no Mundo...

Ricos cada vez mais ricos
Pobres cada vez mais pobres!

Importação e exportação. Também no desporto. Envia-se matéria-prima para (de?) lapidar e recebem – o país de origem e as estrelas - migalhas do que os talentos por lá produzem. Muitas vezes, os jovens até ficam “indisponíveis” para representar a selecção dos seus países, uma vez colocados “entre a espada e a parede” da naturalização.

Lurdes Mutola contou-me um dia, a extrema pressão que sentiu para optar pela nacionalidade americana. O seu falecido pai, João Mutola, é que lhe disse que não gostaria de viver o momento em que a sua filha, para vir a Moçambique, tivesse que solicitar um visto de entrada.

DINHEIRO, DINHEIRO E...
MAIS DINHEIRO!

Soa a insulto para um ser humano, por exemplo, um jovem jogador de futebol principiante, como o ex-benfiquista João Félix, ser transferido para o Atlético de Madrid por um valor superior a 100 milhões de euros!!!

Não é fácil encontrar quem se predisponha a EMPRESTAR esse montante a Moçambique, para acudir a situações calamitosas como os ciclones Idai e Kennet, para ser reembolsado em 10 anos, com juros!!!
As verbas que circulam no futebol, particularmente na Europa, representam um pontapé no bom senso e equilíbrio das pessoas. Na realidade, pode dizer-se que a bola já não é redonda.
Porquê?

Atente-se numa lista dos 20 clubes (mais) milionários de Europa e do Mundo. Compare-se depois com o destino das maiores competições do planeta. Facilmente se constatará que a divisão é, e será sempre, entre eles. E agora, com o vídeo-árbitro, tecnologia que nem daqui a décadas chegará à Catembe ou a Nicoadala, cada vez maior vai ficando o fosso... Daí que, nem com a maior sorte deste planeta, um Munhuanense Azar, ou mesmo um Costa do Sol, poderão, mesmo em sonhos, infiltrar-se naquele nível, uma única vez!
O que conta, em primeiríssimo lugar, é o investimento. O resto vem logo a seguir.

ESPÍRITO OLÍMPICO
A DESVANECER-SE

No Comité Olímpico Internacional, patrão-mór da maior movimentação desportiva planetária, a tendência também não é diferente. Há umas décadas, os países menos fortes tinham quotas de participação, para lá dos mínimos.

Assim, havia atletas/promessas que acompanhavam, alguns sem competir, os representantes dos seus países, com a finalidade de “sentirem o cheiro” àquele nível de competição, para daí saírem motivados e mobilizadores para outros jovens, nas suas origens.

A fase eliminatória dos Jogos Olímpicos, era mais para contacto, no terreno, super-potências versos sub-desenvolvidos, conferindo a estes a oportunidade de medirem as diferenças reais, no terreno.

Lurdes Mutola, em Seul, com todo o potencial, ficou-se pelo quinto lugar numa série. Viu, vivenciou e interiorizou. Depois cresceu física, técnica e também mentalmente. Quatro anos depois, em Barcelona, já era uma séria candidata a uma medalha olímpica.

Angola, em basquetebol, na Olimpíada de 92, teve a “sorte” de lhe ser oposto o “dream team” de Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird & Companhia. A meta era perder por 50 pontos. Não conseguiu. Perdeu por 116-48 (68 pontos de diferença). Mas a lição foi bem estudada. Em pouco tempo transformou-se numa indiscutível potência africana.

Nos dias que correm, cada vez mais a lógica da confraternização, que fazia parte do espírito olímpico, vai ficando para trás.
Tive o privilégio de cobrir para o nosso país, as Olimpíadas de Seul 88 e Barcelona 92. Na retina, ficaram-me imagens de um super-campeão americano, Edwin Moses, correndo a eliminatória dos 110 barreiras a fazer passada, enquanto, a seu lado, os adversários se “esfalfavam” para não o deixarem fugir; na maratona – 42 km + 125 metros – os últimos, cortaram a meta, quando o vencedor da prova já havia tomado o seu banho e lugar nas bancadas.

E cá fora? Na hora do “tacho”, eram visíveis as diferenças. Se algumas estrelas, habituadas às mordomias, apenas comiam o que os seus nutricionistas permitiam, os dos países menos abastados, aproveitavam a oportunidade para matarem a fome com as deliciosas guloseimas e bebidas gratuitas e à mão de semear!


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