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  •  Sérgio Raimundo

    Sérgio Raimundo

    Escritor

  • Opinião

    Uma transfusão de veneno aos Mambas…

    Sentados nos bancos de Zimpeto sempre esperamos o melhor do nosso amor. Esperamos que o nosso amor nos faça vibrar, meta-nos na língua chocolates em formas de golos, dê-nos cantando um buquê com rosas bem avermelhas de alegria e bem enrolado por uma fita que ao meio sorri um nó brilhante

    23 de Outubro de 2018 16h02
  • Opinião

    A Operação “RRR” de Miguel Luís José…

    Hoje caiu-me uma surpresa que pouco esperava. O Miguel Luís José, aquele que anda em todo lado com a sua Operação “RRR”, veio cruzar o meu singelo caminho. Miguel é estudante de Direito em Portugal e, como eu, carrega um par de óculos, que se sustenta nos círculos das orelhas e no trapézio do nariz.

    05 de Setembro de 2018 19h14
  • Opinião

    Os acólitos da estupidez

    Não tenho muito para dar aos que comigo caminham. Tenho tido poucos caminhos, muitos passos e destinos incertos. Com os meus companheiros sempre terminamos em pequenas missas nas barracas onde o dízimo da cerveja é barato.

    18 de Julho 22h21
  • Opinião

    O schotch de João Paulo...

    Foi em 2008 que João Paulo fixou a sua estrondosa voz na pauta musical e silenciosa do tempo. Um Bluesman não morre, porque a sua actividade é a de diluir a morte no blues e no schotch.

    17 de Junho 16h10
  • Opinião

    Um parvo...

    Sou uma mulher independente, sim. Independente de tudo, mas infelizmente dependente de parvos como tu. Fumávamos o mesmo cigarro, aliás fumei os cigarros todos que acendias nos teus lábios, bebi os vinhos todos que desaguavam na tua língua.

    05 de Junho 22h45
  • Opinião

    “Natal solidário” de 2017

    Reuniram os meninos de rua numa pilha de fila e noutro canto da sala, onde crescia uma árvore de Natal com luzes, tinham sido amontoados miúdos vindo de um infantário próximo.

    29 de Maio 23h03
  • Opinião

    O compêndio do suicídio

    É interminável a lista de gente que se suicidou. O suicídio é uma corrente do fim que ganha anilhas nas filas dos hospitais, nas pontes das cidades, nos terraços dos prédios, nos quartos escuros, nos ramos da árvores e em tudo que tem vida.

    22 de Maio 23h29
  • Opinião

    Paguei o prato e sumi

    Estava sentado no mercado Mandela. A minha frente estava uma Torre Eiffel levantada com pilares de batatas bem fritas, o peito mal assado do frango era a Casa de Ferro enferrujada da Cidade de Maputo.

    15 de Maio 00h13
  • Opinião

    Uma chapada 3D…

    Parou em frente à ponte. Acendeu um cigarro e pintou com o pincel do seu bafo nuvens de fumo na tela do escuro.

    07 de Maio 00h01
  • Opinião

    A cegueira do velho Bila

    O velho Bila era cego. Um par de óculos escuros desviava as imagens que lhe chegavam. Era uma porta inválida para imagens. Parecia um soldador de instantes com os raios quentes do sol.

    01 de Maio 02h39
  • Opinião

    Queriam linchar King Jota e John Xpila

    Pela madrugada, King Jota e John Xpila, viram que todas as luzes da zona estavam desmaiadas, então decidiram aterrar o seu voo conjunto na pista da porta da dona Salimina.

    23 de Abril 23h50
  • Opinião

    Albert Einstein no mercado Xipamanine

    Albert Einstein desceu dum taxi com faróis colados por adesivo hospitalar, no lugar de retrovisores, o taxi, tinha espelhos domésticos encomendados numa dessas lojas chinesas. O taxi no vidro traseiro tinha a seguinte escrita: “Basta Viver – Serviço de Taxi 24 horas”.

    16 de Abril 23h43
  • Opinião

    Os Galtons: mestres do instante ininterrupto

    Pela Antena da Rádio Moçambique [RM] sempre ouvi os Galtons. A voz adestrada de Abílio Mandlaze [vocalista falecido] servia-me de ponte para atravessar as ondas radiofónicas, do rádio, e chegar à música.

    10 de Abril 00h44
  • Opinião

    Meu irmão, Artur, está em Gana...

    “Republic of Ghana” é onde estás, meu irmão. Custa-me pagar o imposto da distância por estas palavras. Sei que a senha da saudade paga-se nas manhãs chuvosas de lágrimas no balcão da memória ou no guiché da cama. Todavia, eu quero paga-la aqui neste meu “Relógio di Oro”.

    02 de Março 00h45
  • Opinião

    O marido da noite da Augusta

    Ali está a Augusta. Pela justiça dos olhos parece uma moça normal. É uma ruína humana escura habitada por corvos de incerteza e fungos de medos.

    18 de Fevereiro 16h06
  • Opinião

    ...É tudo que temos

    Velho Tembe é guarda duma loja na baixa da cidade. Segura um chamboco na mão esquerda, a direita usa-a para abrir a porta aos chefes e na cintura um par de algemas espreita. É um velho que se divide durante todo dia; dorme metade do sono em casa e a outra no serviço.

    09 de Fevereiro 07h56
  • Opinião

    A dor escolta Zulmira

    Com a bacia cheia de laranjas desce à cidade, Zulmira. O umbigo que espreita debaixo da blusa curta anuncia uma vida que rola no ventre. As tetas desenham dois pontos de leite na blusa; devia amamentar àquela hora.

    02 de Fevereiro 14h48
  • Opinião

    “Choriro”: a beleza entre a imaginação e a história

    Choriro” como bem o diz Ungulani Ba Ka Khosa é “um retrato de um espaço identitário, de uma utopia que se fez verbo”. O enredo dessa narração que envolve a história e a imaginação num só campo ficcional é o Vale de Zambeze no período mercantil marcado pelo tráfico e exploração de marfim e escravos.

    25 de Janeiro 22h55
  • Opinião

    Um ardina atropelado...

    O ardina puxava as calças jeans que gotejavam do caimento da cintura, como cera duma vela, pela mão direita. Na mão esquerda segurava uma pilha de jornais enrolados; segurava os jornais na posição que se aprende nas maternidades: a de amamentar.

    18 de Janeiro 22h00
  • Opinião

    Liturgia à palavra perfeita!

    Depois de ler “A descrição das sombras” de M.P. Bonde confirmei a frase do escritor espanhol Camilo José Cela: “a literatura não é uma charada: é uma atitude”.

    12 de Janeiro 00h47




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