Autor

  • Hélder Faife

    Hélder Faife

    Escritor/Poeta

  • Opinião

    Comparsa

    – Acorda comparsa. Está na hora. Circula apressada. Faz volutas de vento com as partes sacudidas, ao andar. Vai. Vem. Desesperada.

    13 de Novembro 00h37
  • Opinião

    O preço das viaturas

    Deslocou, sem pressa, o palito, de um canto da boca para outro. Pousou o xidjumba de jornais e dispôs no chão, em montículos, ao jeito das vendedeiras, de modo que ficassem com as apetitosas manchetes expostas. Em parangonas, lia-se: O PREÇO DAS VIATURAS.

    04 de Novembro 19h29
  • Opinião

    Interino

    A mão avançou pelo trópico de capricórnio, entre a blusa e capulana, por onde o corpo se greta em estrias. Pelas dobras da cintura. Pelo trilho agradável do fio de missangas que lhe segurava os amuletos.

    29 de Outubro 08h09
  • Opinião

    O assalto

    A chave rodou. O veículo respondeu ao golpe da ignição com um solavanco tímido, mas conteve a precipitação. O motor soltou-se e gemia: hmmmmmmmm! Trémulo, o carro parecia nervoso. O molho de chaves pendurado na ignição tilintava.

    22 de Outubro 10h34
  • Opinião

    In dependência

    Samora regressou de Nachingweya como quem regressa, ao fim do dia, de uma intensa jornada de trabalho. Aliviou-se da espingarda que lhe pesava o ombro, pousou-a sobre um móvel, como quem pousa uma sacola com o expediente do dia. Deu um beijinho à sua esposa, cumprimentando-a.

    27 de Junho 19h25
  • Opinião

    Explicação da Páscoa

    Jesus demorou com a fivela da sandália, ganhando tempo para raciocinar. Falou-lhe de team building, e outros termos em língua distante, de modo que Madalena se encurralasse com as perguntas.

    2017-06-09 21:21:56
  • Opinião

    O balão amarelo

    O puto não gostou. A flacidez desafiava-o. Voltou a assoprar com mais força. Assoprou, assoprou, assoprou. O balão, rendido, inchou, inchou, inchou. Era um mufana gordo, como aquele do Craveirinha

    05 de Junho 16h37
  • Opinião

    Gotuâna

    POLÍCIA MUNICIPAL. Uma senhora desesperava, enquanto dois fulanos de uniforme atiravam as coisas que vendia para a bagageira do carro.

    02 de Junho 16h21
  • Opinião

    Mentira e Trabalho

    – Mas a mentira sempre existiu, irmão. Este país cresceu sobre a lógica de mentiras. Por isso cresceu. Temos de manter a coerência. A fundação e os pilares deste nosso país têm a robustez da mentira.

    18 de Maio 18h08
  • Opinião

    Esposa Pública

    XIPIKIRI Ajeitou a capulana de modo a cobrir os joelhos, quando percebeu o meu olhar a trepar-lhe pelas canelas roliças. Os homens olhavam. As mulheres sussurravam. Mas ela não tinha culpa. Até a capulana com que tentava disfarçar as cordilheiras ondeava, rendida ao relevo.

    11 de Maio 19h13




Contactos

Tef: +258 21 313517/8

Email: opais@soico.co.mz
Local: Rua Timor Leste, 108 Baixa
Maputo- Moçambique