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  • Nelson Saúte

    Nelson Saúte

    Escritor

  • Opinião

    Vovó Nely

    A Vovó Nely faz, esta sexta-feira, 98 anos. Mais não houvesse a distinguir, nesta longa e prodigiosa vida, este facto bastaria por si como motivo para a celebrarmos.

    31 de Outubro de 2018 19h59
  • Opinião

    Bye bye, Brasil!

    São Paulo é uma das minhas cidades electivas. Vivi dois anos, dos anos mais esplendorosos da minha vida, em Sampa, como é conhecida a desvairada cidade paulistana.

    24 de Outubro de 2018 22h38
  • Opinião

    Avó Angelina, mãe Alice

    Ressano Garcia é, por conseguinte, um lugar mágico para mim. Ia com a minha avó, de comboio, visitar a mãe dela, minha bisavó Sofia.

    17 de Outubro de 2018 18:06:00
  • Opinião

    Pedro Langa, Zeca Alage e Roberto Chitsonzo

    Empolgo-me sempre com a música do Ghorwane. Espanto-me com o génio criativo de Pedro Langa, Zeca Alage, Roberto Chitsonzo ou mesmo Jorge César. Exulto ouvindo a voz de David Macuácua. Eles fazem uma surpreendente alquimia entre a corajosa crítica social e um som espantosamente belo e luminoso.

    04 de Outubro 2018 12h42
  • Opinião

    Mr. Abdullah Ibrahim, District Six e as mãos de Deus

    Cruzámo-nos no saguão do aeroporto de Joanesburgo, numa quarta-feira usual, era 29 de Junho, estávamos em 2016, pouco antes das 19 horas. Eu ia a sair a caminho da porta de embarque do meu voo para Londres e levava na mão a minha filha Mayisha.

    26 de Setembro de 2018 22h40
  • Opinião

    No dia em que vi a Nicole Kidman arrebatadoramente nua

    Nessa tarde, nem as minhas mais ingentes fantasias seriam capazes de estar à altura daquela vertiginosa imagem da musa australiana. Eu acabara de a ver nua em De olhos bem fechados, do mítico Stanley Kubrick, e estava ainda atordoado com o sublime enlevo daquela hierática silhueta.

    12 de Setembro de 2018 21h50
  • Opinião

    O meu velho amigo Carlos Drummond de Andrade

    O episódio ocorreu no início do mês de Agosto do longínquo ano de 1987. Eu estava na esquina entre as avenidas Amílcar Cabral e Eduardo Mondlane, a engraxar, distraidamente, os meus sapatos, quando, oriundo do nada, o meu bom amigo Manuel Maurício.

    29 de Agosto 2018 10h25
  • Opinião

    A guerra e a paz de Kofi Annan

    Poucas semanas depois estive com o meu bom amigo Carlos Lopes, na Cidade do Cabo, onde nos encontramos amiúde, prolongando um convívio que praticámos há mais de 25 anos. Carlos Lopes é oriundo da Guiné-Bissau e serviu longamente as Nações Unidas.

    22 de Agosto de 2018 17h32
  • Opinião

    Os dias em que saí em reportagem com o Mestre Kok Nam

    Em finais de Abril de 1989, um aluno da Universidade Eduardo Mondlane, que estava na organização de uma greve de estudantes, que iria eclodir no mês seguinte, contactou-me, através de um amigo comum, para que eu me informasse sobre aquele movimento reivindicativo.

    15 de Agosto 13h37
  • Opinião

    José Pastor

    Viera de Cuba, a ilha de Fidel e da revolução mítica das Caraíbas, quando o conheci. É preciso dizer que, naquela época, o vocábulo “revolução” não se dissolvera ainda no alvoroço, no tumulto, no turbilhão, na voragem, no remoinho, no vórtice de uma sociedade que transitou da utopia.

    08 de Agosto 11h41
  • Opinião

    Ungulani Ba Ka Khosa

    Começo por uma célebre e remotíssima “boutade”, do Ungulani Ba Ka Khosa, proferida numa entrevista à brasileira Cremilde de Araújo Medina: “A Charrua é a melhor revista literária do mundo!”. Esta frase denuncia a personagem Ungulani, um verdadeiro iclonoclasta, um destemido provocador.

    01 de Agosto 09h05
  • Opinião

    Elogio de Sábado

    Billie Holiday canta “Come rain or come shine.” Parece que a chuva abrandou. Leio José Craveirinha. Poema “Lustro”: “Velha quizumba/ de olhos raiados de sangue/serve-me os rins da angústia/ e a dentes de nojo/ carnívora rói-me a medula infracturável do sonho.”

    18 de Julho 22h25
  • Opinião

    Febre africana

    Ryszard Kapuscinski: “Em pleno centro, a meio da Independence Avenue, há um edifício de quatro pisos, com varandas com balaustradas destruídas a toda a volta – o New Africa Hotel.

    04 de Julho 21h36
  • Opinião

    Capitão de médio curso

    Foi o meu dilecto amigo Álvaro Belo Marques, de quem fui discípulo, quem me havia de levar a Baptista-Bastos. Sabia da minha devoção intrémula por ele.

    27 de Junho 22h14
  • Opinião

    Mundial de Futebol no Grupo Dinamizador

    O primeiro Mundial de Futebol a que assisti, pela televisão, foi o de Espanha em 1982. Tinha quinze anos e era assíduo frequentador do Grupo Dinamizador, ali entre as avenidas Ahmed Sekou Touré e Filipe Samuel Magaia, nos dias dos jogos.

    20 de Junho 11h15
  • Opinião

    Fátima Mendonça

    Tínhamo-nos conhecido na Associação dos Escritores nos meados dos anos 80 e houve, desde logo, uma grande empatia entre nós. Fátima Mendonça era uma reputadíssima professora universitária e divulgadora incontornável da literatura moçambicana e eu um miúdo intrépido que queria saber e fazer tudo.

    13 de Junho 22h32
  • Opinião

    Dadinha

    Quando, em Novembro 1990, parti para estudar em Portugal, levava na mala, entre outras coisas, uma providencial cassete de música moçambicana.

    06 de Junho 21h20
  • Opinião

    Malidza

    Carneiro Gonçalves: “Caminhai célere, ó jovem povo do Quiteve, e vinde ouvir a história de Malidza, que morreu de amor. Uma grande ternura agasalhava-lhe o corpo de ébano (que ela protegia para Kilomko, o guerreiro) e punha nos seus olhos cintilações habitadas pelos génios antigos das florestas.

    30 de Maio 20h23
  • Opinião

    É preciso plantar nas estrelas e sobre o mar

    Marcelino dos Santos redigiu, de Portugal, onde se encontrava a estudar desde 1947, uma carta que seria publicada no prestigiadíssimo O Brado Africano, onde anuncia, com irredimível convicção, a sua combatividade, aos 20 anos. Isto nos finais dos anos 40.

    24 de Maio 11h33
  • Opinião

    Por cima de toda a folha

    Conheci o Heliodoro Baptista em 1987, numa das suas raras vindas a Maputo, à época, e tornámo-nos amigos imediatamente.

    17 de Maio 00h24
  • Opinião

    Elogio a Aníbal Aleluia

    Aníbal Aleluia: «Da parte paterna, só conheço a genealogia até ao meu bisavô, precisamente Aníbal Aleluia, vindo, segundo me contaram os meus ascendentes, “muito de fora”. Meu avô, Henrique Aníbal Aleluia, e meu pai, Roberto, Roberto, eram naturais de Séui (Inhambane, cidade).

    10 de Maio 18h51
  • Opinião

    Chimamanda

    Quando pergunto, aqui em Moçambique, aos que me são próximos e que são leitores contumazes, se já leram Chimamanda Ngozi Adichie, quase invariavelmente dizem-me que não. Há uma literatura pujante no nosso continente que nos passa ao largo.

    02 de Maio 22h54
  • Opinião

    João Cabaço

    Escrevo debulhado em lágrimas. Oiço repetida e obsessivamente “Mamana” de João Cabaço. Uma vetusta gravação, realizada nos exultantes anos 80, em Berlim, na companhia de Hortêncio Langa e de Arão Litsure.

    26 de Abril 00h29
  • Opinião

    Carta ao Pai

    Acabo de ler, de reler na verdade, Carta ao Pai, de Franz Kafka, um escrito que me impressionou não só pela virulência implacável com que defronta a relação com o pai, mas também como ele explica a sua personalidade, complexa, marcada sem dúvida pela figura paterna:

    19 de Abril 01h14
  • Opinião

    Se o teu homem é um feiticeiro, tens de te tornar bruxa!

    Nelson Mandela: “Uma tarde, durante um intervalo da audiência preliminar, levei um amigo de carro de Orlando até à escola médica da Universidade de Witwatersrand e passei pelo Hospital Baragwanarth, o principal hospital negro de Joanesburgo.

    04 de Abril 23h12
  • Opinião

    Descolonizámos o Land Rover

    Albino Magaia tem 40 anos e é um reputadíssimo jornalista e escritor moçambicano. É prócere director da prestigiada e prestigiosa revista TEMPO.

    29 de Março 17h52
  • Opinião

    Mozambique 1975/1985

    Era um dos destaques, nas estantes de uma livraria, da Cidade do Cabo, e o nome em letras brancas sobre a capa preta, à distância da minha miopia, pareceu-me familiar: Moira Forjaz.

    21 de Março 23h32
  • Opinião

    António Pinto de Abreu

    O teu nome titula este infausto texto. É-me impossível pensar num outro epíteto ao redigir esta evocação. Hoje, como a 2 de Agosto, quando morreste, quando nos morreste, eu queria eximir-me desta tarefa.

    15 de Março 00h26
  • Opinião

    Quando dançamos com a mulher da nossa vida

    Eu era um miúdo, tinha 18 anos, quando me tornei amigo do Luís Carlos Patraquim, que me publicou, na “Gazeta” da insigne revista Tempo, os meus primeiros versos impressos, em Agosto de 1985.

    01 de Março 00h23
  • Opinião

    A Ilha dos Poetas

    Antigo porto, feitoria, entreposto, desterro, presídio e até mesmo lupanar, foi a primeira capital de Moçambique, marco talassocrático do Índico, conheceu o apogeu e o ocaso, a distinção e o opróbrio, a riqueza e a pobreza.

    21 de Fevereiro 22h43
  • Opinião

    Pão nosso de cada noite

    Nasceu a 15 de Fevereiro de 1924, na vetusta Lourenço Marques – passam hoje 94 anos -, morreu a 11 de Junho de 2009, aos 85 anos. Era conhecido, sobretudo, como fotógrafo – repórter fotográfico ou fotojornalista -, dos mais talentosos que Moçambique viu nascer. Chamava-se Ricardo Achiles Rangel.

    14 de Fevereiro 22h29
  • Opinião

    Irmão do Universo

    Quando fui ao seu encontro para a aprazada entrevista de vida, que me propusera fazer no roteiro de os Habitantes da Memória, e que concluí em duas longas tardes, em sua casa em Maputo, ele tinha justamente o dobro da minha idade: 46 anos.

    07 de Fevereiro 22h38
  • Opinião

    E nefelibatas bebemos coca-cola

    Num célebre, penetrante, inquietante e, indubitavelmente, polémico texto, que tanto estimulou (apesar de ligeiras discordâncias) a minha juventude literária, Eugénio Lisboa socorre-se de uma ingente definição de poesia, estabelecida pelo poeta mexicano Octavio Paz.

    31 de Janeiro 22h41
  • Opinião

    Soweto Blues

    Masekela foi talvez, de todos os músicos sul-africanos, o mais solidário. Falou de Moçambique e dos moçambicanos em todos os espectáculos que fez e em que cantou “Stimela”, provavelmente a sua música mais emblemática, aquela que melhor lhe consigna a condição de activista, militante, lutador.

    25 de Janeiro 00h22
  • Opinião

    Joaquina Siquice

    Joaquina Siquice - lembram-se deste nome ínclito da Companhia Nacional de Canto e Dança?  A amnésia ou a displicência são, entre nós, práticas indissimuláveis. Para não falar da memória, que é um prontuário intransitável.

    18 de Janeiro 01h00
  • Opinião

    José Mucavele Atravessando Rios

    Voltei a ouvir o disco Atravessando Rios de José Mucavele. Sinto o mesmo sobressalto e o mesmo espanto do miúdo de 18 anos quando, em 1985, surgiu este belíssimo disco e tocava na Rádio Moçambique.

    10 de Janeiro 21h48
  • Opinião

    Malangatana

    O bestiário de Malangatana é único, os seus duendes, os seus espíritos, as suas vozes, o seu imaginário inesgotável e fascinante.

    04 de Janeiro 00h36
  • Opinião

    Mama Mosambiki

    Oiço com um misto de júbilo e nostalgia Zena Bacar. Júbilo por celebrar esta voz única da música moçambicana e, indubitavelmente, grande voz da música africana; e nostalgia porque ela desaparece hoje do reino dos vivos, embora seja compelido pelo cliché a afirmar que a magnificência da sua arte...

    27 de Dezembro 23h58
  • Opinião

    Mangas Verdes com Sal

    Quando o descobri, fortuitamente, na minha adolescência, o seu nome não era referido nem a sua obra aludida.

    20 de Dezembro 15h36
  • Opinião

    Wiriamu - Tributo aos Padres de Burgos

    O dia 16 de Dezembro de 1972 calhou num sábado, como acontece este ano. O massacre de Wiriamu poderia, naquele dia ignóbil, ter sido apenas mais uma página negra esquecida ou ignorada para sempre, como outras tantas que permanecem no sepulcro do desconhecimento e da ignomínia.

    13 de Dezembro 18h51
  • Opinião

    Eduardo White – O tradutor de inquietações

    Leio esta noite, de 21 de Novembro, Eduardo White. Ele é, indubitavelmente, o maior poeta da minha geração, e um dos mais intensos e belos e luminosos poetas moçambicanos de sempre. Escreveu sempre sobre o amor.

    29 de Novembro 21h02
  • Opinião

    O Outono do Patriarca

    John Dalberg-Acton, mais conhecido como Lord Acton, historiador, jornalista e político britânico, numa missiva que se tornaria lendária, dirigida ao bispo Mandell Creighton – chegou a ser Bispo de Londres -, disse a sua proverbial frase em 1887.

    23 de Novembro 10h08
  • Opinião

    Vitupério a Malangatana e ao país

    Estou indignado e envergonhado: no Centro de Estudos Africanos, em plena Universidade Eduardo Mondlane, um painel de Malangatana Valente Ngwenya foi ultrajado, vituperado. Parece surreal: um tubo de canalização atravessa o mural do grande Mestre. Como é possível praticar-se semelhante crime?

    15 de Novembro 18h57
  • Opinião

    Nikolai Gogól e Fany Mpfumo

    Leio o conto “A carruagem”, de Nikolai Gógol. A história passa-se numa cidadezinha B..., que vive mergulhada num tédio profundo, mas passa a ser um lugar muito animado quando nela se aquartela um regimento de cavalaria.

    08 de Novembro 22h29




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