Bailarina makonde

A bala subiu os degraus

alegre como a música

uma bailarina makonde

eroticamente baila...

há aplausos com o rigor

de num pudor de sharia

uma nudez desumana

mistura-se à barbárie

e o silêncio engole

toda letalidade do grito

novo purgatório se ergue

impõe mais dança

mais bala para acabar com a fome

da bailarina de sorriso lacónico

a descascar-se no palco

sem máscaras e nem enfeites

senão o poligloto silêncio

cantado pelos fuzis

nas notas altas do infortúnio

enxurradas de fãs

num paiol de aplausos

de erecção em riste

ao novo destino

à bailarina que somos todos

acena a ovação

uma cadência de silêncios

interrompe a cardiovascular

um rio desmonta-se na nascente da pupila

onde guardar as lágrimas?

 


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