Barça: auto-estima ao mais alto nível

Xi-Cau Cau

O Barça perdeu em França com uma das mais poderosas equipas da Europa, o Paris S. Germain, pelo “irrecuperável” resultado de 4-0. Restava o “inferno” de Campo Nou para a segunda mão, onde a classe de Lionel Messi se apresentava claramente insuficiente para se prever uma reviravolta. Final dos 95 minutos da disputa: 6-1 a favor dos galáticos.
Como buscar explicações para uma histórica viragem, a maior até hoje operada na exigente Liga dos Campeões Europeus, valorizada pelo facto de os franceses possuírem uma das mais poderosas equipas do Mundo?

Não foi um futebol de melhor nível que superou o outro. Não foram as estratosféricas somas milionárias que Messi, Neymar e seus pares desfrutam, que suplantou as diferenças 'irrisórias” que separam os valores pagos aos milionários craques da turma francesa. Nada disso!

Peso da camisola, união e... mística!

Com a equipa de basquetebol do Maxaquene, campeã Africana em 1983, tive a oportunidade e o privilégio de visitar a Cidadela de Barcelona, com o Camp Nou como ponto alto. Assisti a um jogo tremendo e senti como deve ser para os visitantes, jogar naquele inferno. Na altura, instaladas fora das quatro linhas, estavam uma grade sólida e uma “piscina”. Tudo para conter as emoções dos adeptos, que vivem fervorosamente o clube, a sua cidade e com ela a identidade catalã. Sobretudo quando o adversário é o rival da outra circular, que dá pelo nome de Real Madrid.

Contou-me então um amigo espanhol, que em certa ocasião, o Barça acabava de sofrer o terceiro golo, face ao rival madrileno. A bola foi para o centro do terreno para o recomeço do jogo quando, como por artes mágicas, apareceu no centro do terreno, totalmente encharcado, um adepto a ajoelhar-se junto do juiz, rogando para que pusesse fim à partida. O que tinha acontecido? O adepto tinha-se lançado à água, para depois subir as grades, com a finalidade de implorar misericórdia para a sua honra que estava sendo ultrajada! Por este pequeno exemplo se pode fazer ideia do peso de uma camisola e da mística que um clube transporta.

Pois foi isso que permitiu esta vitória inédita, numa competição de altíssimo nível de exigências.

Quem derrotou os franceses foram o crer e o querer, elevados ao mais alto nível. Não foi o melhor futebol, mas a extraordinária cumplicidade entre clube, adeptos e cidade. O Camp Nou começa a causar desgaste nos adversários, mesmo antes dos jogos começarem.

Estádio da Machava
ex-cemitério dos visitantes

Numa dimensão ajustada à nossa realidade, recordo-me que o Estádio da Machava, no tempo de Mário Guerreiro como Presidente da FMF, chegou a criar uma mística que punha em sentido os adversários da nossa Selecção. Ficámos nove anos sem lá perder, nos nossos melhores tempos. O mítico recinto do Vale do Infulene, chegou a ser designado de “cemitério dos visitantes”. Estávamos então entre as 60 primeiras selecccões no ranking FIFA e já começavam a surgir convites princepescos para exibirmos os nossos dotes além-fronteiras.
Quer tudo isto dizer que a ascesão e o resgate dos nossos valores, passam por todos e por cada um de nós. O atleta tem que sentir que ostentar a camisola dos Mambas, não é o mesmo que vestir um qualquer farrapo das calamidades. Pisar o Estádio da Machava ou do Zimpeto, é diferente de evoluir num qualquer torneio de bairro.
A Mística do Camp Nou e do Barça, à nossa medida e realidade, podem e devem ser insufladas. Estaremos assim a ajudar a passar o tão propalado “slogan” da auto-estima, das intenções à prática.

 


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