Cancro infantil: do mito à superação

Cancro infantil: do mito à superação

A sua cura depende do tempo em que ela é diagnosticada. Pode ser fatal. No nosso contexto é uma doença emergente e ainda mito para muitos, mas em países desenvolvidos o cancro pediátrico é das principais causas de mortalidade infantil.

Não é conhecida, mas é frequente. Vive entre nós. Vive tanto, que em média 10 casos de cancro pediátrico dão entrada, por mês, no Hospital Central de Maputo.

Dapson nem sabe, mas é um dos 10. Chora de dor, mas é assim que busca tratamento para uma dor maior. Foi diagnosticado cancro pediátrico em Setembro de 2019. De lá a esta parte, o hospital virou sua segunda casa.

Se por um lado ganhou uma segunda casa, por outro, perdeu seus amigos, colegas da escolinha que vinha frequentando em Chókwè, província de Gaza. A doença o obrigou a se mudar para Maputo, até porque só no Hospital Central da capital é que há especialização para o tratamento da doença.

A rotina da mãe do Dapson, Guida Matusse, mudou. Mudou também a de Issufo Tivane e Yosimith Mandlate, pais da Ken, por causa da mesma doença.

Para o caso de Dapson, por exemplo, a dor da barriga, o caminhar defeituoso e a urina com sangue foram dos sinais de alarme.

O cancro é apenas uma doença como qualquer outra, que precisa ser diagnosticada o mais cedo possível, mas o medo inibe a procura de ajuda. Há quem quebra o mito e segue o tratamento. Tuaifa Ibrahimo foi uma dessas pessoas. Tinha apenas 12 anos quando foi diagnosticada a doença. Hoje, mulher de 19 anos, sabe que tomou a decisão certa e sente-se praticamente curada.

Em Moçambique o grande desafio de lidar com esta doença é o diagnóstico tardio e o abandono ao tratamento. Aliás, o país tem apenas uma médica especializada em Hemato-oncologia pediátrica, que lida com crianças vítimas de cancro.

Sendo o cancro uma doença emergente, os esforços devem ser combinados. Foi por isso que o Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil esteve esta semana a dar uma formação aos profissionais da saúde do Hospital Central de Maputo.

Uma das saídas para desmistificar a doença é a introdução da matéria nas escolas.

O Dia Internacional de Combate ao Cancro Infantil, que se celebra a 15 de Fevereiro de cada ano, visa consciencializar as pessoas sobre o cancro na criança e valorizar a luta diária de quem padece desta doença. Embora seja fatal e mito para muitos, só quem vive na pele e busca ajuda sabe que, afinal, há tratamento e é possível superar.

 

 

 


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