Celebrando o legado de Eduardo Mondlane

Ouvi sobre Eduardo Mondlane pela primeira vez quando ele apresentou uma petição á Comissão das Nações Unidas para a Descolonização das Colónias Portuguesas em Nova Iorque, em Maio de 1962.

O Camarada Filipe Magaia, membro da UDENAMO (União Democrática Nacional de Moçambique), deu-nos um resumo sobre o perfil de Mondlane, uma vez que eles já se conheciam da então cidade de Lourenço Marques.

Após ele ter aceite o nosso convite para Dar Es Salaam, Mondlane foi bem recebido por todos e rapidamente tornou-se muito popular pelo seu carisma natural, suas conquistas intelectuais e a sua boa reputação perante representantes de vários movimentos Africanos que estajam engajados na luta em busca da sua independência, tendo ele contribuído com várias ideias para elaboração das apresentações destes movimentos ás Nações Unidas.

Como resultado da sua dedicação, Mondlane foi solicitado tanto pela UDENAMO assim como pela MANU (Mozambican African National Union) para liderar os seus partidos. Em testamento das suas habilidades de liderança, planificação estratégica e comunicação interpessoal, Mondlane apelou á Unidade Nacional por todos os Moçambicanos, alegando que juntos seríamos mais fortes que divididos. Na Conferência dos Combatentes pela Libertação, que teve lugar em Accra, Gana, em Maio de 1962, UDENAMO e MANU decidiram formar uma única frente, FRELIMO, Frente de Libertação de Moçambique, tendo como base o facto de que tínhamos os mesmos objectivos e partilhávamos as mesmas ideologias.

Enquanto Mondlane era o timoneiro da Frelimo, usou todas as suas forças e energias para promover o partido pelo mundo fora, uma vez que estaja eminente que ele era uma figura internacional, e muito rapidamente o partido conseguiu muitos apoios, principalmente dos países escandinavos, Suécia, Dinamarca e Holanda, que opiaram moral e materialmente.

Mondlane foi para mim um homem honrando, que sempre procurou resolver os conflitos na base do diálogo e reconciliação; um líder que sempre acreditou nos valores que teríamos com um povo escolarizado, e sempre esteve preocupado em aprimorar a formação académica e preparação física através de bolsas de estudo e formações militares.

É claro que a sua esposa Janet Rae Mondlane teve a sua colaboração, e com sua ajuda foi criado o Instituto Moçambicano, que organizou cursos de formação em assistência médica e ensino secundário para crianças que viviam nos acampamentos de refugiados e nas Zonas Libertadas, e fazia angariação de fundos para financiar bolsas de estudo para Moçambicanos no estrangeiro.

Quarenta e cinco anos após a independência, celebramos a visão de Mondlane para um povo escolarizado. Começamos com apenas uma universidade e hoje temos várias instituições de ensino desde o ensino primário, secundário e universitário, do Rovuma ao Maputo. Conseguimos em 2017 atingir a taxa de alfabetização em 60.7%, um grande crescimento em cerca de 93% comparando com o ano de 1975 quando Moçambicano alcançou a sua independência.

Mondlane foi um homem que acreditou na camaradagem e na irmandade. Isso foi devidamente comprovado pela sua submissão de carta de pedido de demissão na Universidade de Syracuse nos Estados Unidos onde trabalhava como
Docente, de modo a participar activamente nos trabalhos diplomáticos através das Nações Unidas e eventualmente liderar a Luta de Libertação para conquistar a Independência do seu povo.

 

Lopes Tembe Ndelana

Antigo combatente

 


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