Ciclone Kenneth: Mais de 36 mil famílias alojadas em locais seguros

Ciclone Kenneth: Mais de 36 mil famílias alojadas em locais seguros

O dia da quinta-feira acordou cinzento na cidade de Pemba. O seu estava coberto de nuvens com alguma ventania e chuvas a mistura. Retirada de pessoas das zonas de risco havia começado na quarta-feira.

A Directora Geral do INGC que esteve no terreno a acompanhar o evoluir da situação do ciclone tropical “Kenneth” explicou a nossa reportagem que as escolas eram os principais pontos que iriam acolher as famílias em risco. A previsão era de acolher só na cidade de Pemba mais de dez mil.

“A maior parte das escolas foram identificadas como locais seguros. No caso do Ibo, nos temos a fortaleza e outros pontos seguros. É preciso entender que o exercício que estamos a fazer é identificar aquelas escolas que entendemos que oferecem mais segurança para colocar as famílias. Só aqui dentro da cidade de Pemba nós já temos mais de duas mil famílias alojadas em sítios seguros. Em Palma temos mais de 36 mil famílias em zonas de risco e que começou ontem (quarta feira) o processo de serem removidas para essas escolas. O mesmo processo esta a acontecer no Ibo, na Mocímboa da praia, em Muidumbe que são os lugares indicados como os que vão ter maior impacto” explicou

Entretanto era notória a resistência de algumas pessoas em abandonar as casas apesar dos veementes apelos.

O histórico bairro paquitequete foi um dos escalados pela nossa equipa de reportagem. Aqui encontramos a senhora Ancha Tayob sentada a porta da sua casa a contemplar a evolução da chuva e do vento ao invés de abandonar o local dado o perigo.

"Não tenho como sair daqui porque os meus utensílios correm riscos de serem roubados. Portanto não vou sair enquanto a tempestade não se intensificar. Os vizinhos ainda estão aqui e por isso não vejo nenhum perigo de cá estar" disse

 

 Ainda assim logo da quinta-feira a nossa reportagem encontrou algumas famílias ao longo da avenida 25 de Setembro a saírem da escola onde se encontravam abrigadas para suas casas a fim de ir confecionar as suas refeições a controlar seus haveres nas residências. Tinham acatado as mensagens do INGC e se acomodado em escolas e igrejas, para onde tencionavam voltar logo que tivessem seus alimentos prontos.

No quadro do ciclone tropical, a ministra da administração estatal e função publica Carmelita Namashulua orientou a reunião do Comité Provincial de Emergência. Na ocasião Namashulua orientou o grupo de coordenação a reforçar água e alimentos nos centros de acomodação provisoria, onde foram alojadas as mais de 30 mil famílias. Igualmente instou o grupo de trabalho no sentido de trabalhar na melhoria das condições de saneamento do meio.

As famílias já alojadas nos locais seguros começaram ao fim do dia a receber produtos alimentares com destaque para farinha, feijão, arroz, óleos entre outros. Os produtos que vem responder as necessidades destas.

EVACUAÇÃO COMPULSIVA DAS FAMÍLIAS

Ate ao final do dia já se procedia a evacuação compulsiva das populações com maior destaque na Ilha do Ibo. Mocímboa da praia, Palma, Metuge. Mecufe, Macomia e cidade de Pemba. Ainda esta quinta-feira a Directora Geral do INGC visitou o distrito de Metuge para acompanhar o processo.

As brigadas de evacuacação eram compostas por técnicos do INGC e agentes da Polícia da República de Moçambique.

“Como puderam observar ali em Bandar e- uma zona de alto risco. Encontramos pessoas a resistir a saída destes locais. O que já tínhamos dado indicação de que faríamos numa situação igual a esta. Estamos a retirar pessoas a forca. Não temos outra alternativa. Logo que a situação se normalizar vamos devolver as pessoas aos seus locais de residência” reiterou Maita.  

A operação de retirada das famílias em zonas propensas vai continuar até ao fim do ciclone. O enviado do jornal o pais a Pemba, Jorge Marcos disse porem que muitas famílias havia permanecido nas zonas de risco o que aumenta a preocupação das autoridades caso o pior vier a acontecer.

FORNECIMENTO DE ENERGIA AFECTADO

Entretanto por volta das 18 horas desta quinta feira Parte de Cabo Delgado já estava sem energia eléctrica devido ao mau tempo a ocorrência do ciclone. O delegado da EDM, em Pemba, disse que em contacto telefónico com a nossa reportagem que a queda de árvores tinha causado avarias em algumas linhas principais. Já noutras zonas, a empresa tinha optado em desligar com a medida de precaução.

“Temos grande parte da cidade de Pemba sem energia porque caíram 3 árvores por cima das principais. Já conseguimos intervencionar em dois pontos portanto daqui há 20 minutos, (voltas das 19 h) vamos restabelecer a corrente na cidade de Pemba” disse Gildo Marques acrescentando que a corrente electrica continuaria desligada na maioria dos bairros periféricos como xibaguara e cariocó devido ao elevado risco que representam. Entretanto até cerca das 21 horas ainda não havia sido restabelecida a energia

Em relação aos distritos Marques disse que todos os do norte da província como Meluco, Macomia Quissanga, Ibo Mueda, Nangade Mocímboa da Praia e Palma já estavam sem energia devido a uma avaria registada na subestação de Macomia causada pela oscilação das linhas de alta tensão, que entretanto já havia sido identificada mas que devido ao mau tempo não era possível fazer qualquer intervenção naquele momento.

As instituições públicas e muitas privadas estiveram encerradas durante praticamente todo o dia para dar oportunidade aos trabalhadores de se precaverem dos impactos do ciclone.

NAMPULA: APREENSÃO NA ESPERA DO KENNETH EM NAMPULA

As cidades de Monapo e Nacala na província de Nampula tiveram nesta quinta-feira, chuvas intermitentes em regime moderado não se tendo registado danos dignos de registo até ao princípio da noite. As pessoas e as autoridades aguardavam com serenidade mas com apreensão pelo impacto anunciado do ciclone.

Na vila sede do distrito de Monapo mais de quarenta famílias que vivem numa zona considera de risco foram transferidas por precaução para a escola secundária de Monapo.

Em Nacala Porto onde se esperava partir das catorze horas um impacto forte da passagem da tempestade, o pior também ainda não tinha acontecido pelo menos até ao princípio da noite. Contudo este facto não sossegava as autoridades que para não serem surpreendidas continuam a recomendar medidas de precaução e segurança aos Munícipes.

 

 


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