Com “groove” do Jimmy, Standart Bank inaugura Festival

Com “groove” do Jimmy, Standart Bank inaugura Festival

Fosse guitarra uma bola e a música um Nou Camp, definitivamente, dir-se-ia que Jimmy Dludlu é um Lionel Messi. Não pela altura, que o menino de Chamanculo nem é baixo, mas pelo talento, tão espontâneo quanto incrível. O Standart Bank – Acácias Jazz Festival sabe das qualidades do Jimmy, nos dribles, por isso, convidou o guitarrista como figura de cartaz para colorir a primeira edição do evento que também contou com outros grandes nomes da música africana: Oliver Mtukudzi e Judith Sephuma.

Ao espectáculo de ontem à noite, Jimmy Dludlu aglutinou a sua actuação a uma hora intensa, preenchida de alto e bom som como se tocar fosse sinónimo de celebrar uma festa à moda africana, cheia de vida, cor e sorrisos.

O guitarrista subiu ao palco do Hotel Polana, cidade de Maputo, depois de um suspense necessário. E enquanto o momento mais aguardado da noite não acontecia, com a excepção da área VIP, todo o auditório pôs-se em pé, quiçá, perspectivando o que iria acontecer de seguida. Foi então que um menino com aproximadamente 50 anos de idade e tantos outros de percurso artístico, preenchido de prémios e reconhecimento inquestionáveis, apareceu tocando Moçambique, nas notas de um jazz misturado com cancioneiro popular. Foi uma espécie de um prelúdio, porque, de seguida, o guitarrista recuou anos para ir revitalizar um dos seus grandes sucessos “Linda”, do álbum “Echoes from the past”, passando por “Masseve”, do In the Groove, seu último disco, sem se esquecer de brincar aos “hama tué tué”, tocando. O back the tinme continuou ainda com outro grande sucesso na inauguração do Standart Bank – Acácias Jazz Festival, “How about the ones in the village”, cumprindo um rigor que já é uma marca sua: “tocar como sempre e brilhar como nunca”. Aí, antes mesmo de tocar “The greatness of Jesus”, como forma de agradecer ao Criador, pelas bênçãos e pela felicidade de ali estar, como fez menção, Jimmy ressuscitou Michael Jackson, interpretando-o com guitarra nas mãos. E, lá mais para o fim, “Há deva” trouxe de volta, aos aplausos, a obra de Alberto Machavele.

Jimmy encerrou a sua actuação com “Pátria amada”, e, no palco, esteve com vários músicos, como Nelton Miranda (baixo), Stélio Mondlane (bateria), bem como Onésia e Sheila nos coros.

Ainda na abertura do Standart Bank – Acácias Jazz Festival actuaram Judith Sephuma, Oliver Mtukudzi e Banda Kakana. Destes, antecedeu Jimmy a sul-africana, quem levou ao Polana “One Word”, título do seu novo álbum, composto por 11 músicas. No entanto, Sephuma não se restringiu à novidade. Longe disso, tendo tocado pouco daquele disco, investiu muito nas músicas dos anteriores. Assim, fez ecoar “Le tshephile mang”, “A cry, a smile, a dance”, “Iya iyo” ou “Mme motswadi”. Quem pôde, há-de ter reinventado um passado, curtindo a quinta-feira como se do dia seguinte nada importasse. Nem mesmo o patrão.

Do estrangeiro, esteve ainda, mais uma vez no país, Oliver Mtukudzi. O zimbabwiano cantou, tocou, dançou e ainda recebeu um gracejo, afinal, quando os instrumentos cessaram por alguns instantes, lá no fundo, uma voz, sem rosto, declarou-se: “I love you, Oliver”, dito gritado, mas suficientemente excitante. O músico estava distante, mas deve ter ouvido, pois, instintivamente respondeu com o polegar a dizer em silêncio: “se estivesses perto, dava-te meu número do celular”. Mas a dona da voz não percebeu. Então, ficou quieta no seu assento.

À parte os celulares que estiveram constantemente a filmar, Mtukudzi fez o que lhe competia, cantar músicas como “Ndakuvara”, “Neria”, “Ndima ndapedza” e “Todii”.

A primeira edição do Standart Bank – Acácias Jazz Festival foi aberta pela Banda Kakana, que, “Juntos”, cantando amor e fraternidade, lá levaram suas serenatas, ao nível dos grandes que almejam ser.

Com efeito, o festival, assim, encerrou o mês em que a cidade de Maputo completou mais um aniversário, condenando cerca de 800 pessoas que estiveram na tenda do Polana ou a dormir até bem tarde, com um sonho colorido, ou a terem que adormecer no serviço. Hoje é dia de trabalho.

 

 


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