Complicações de gravidez e parto ainda matam 5mil mães por ano

Complicações de gravidez e parto ainda matam 5mil mães por ano

Cinco mil mães morrem todos anos devido a complicações da gravidez e parto em Moçambique. A maioria destas mães são jovens menores de 24 anos. Para reverter a situação a esposa do presidente da Republica lançou nesta quarta-feiraa Campanha de aceleração dos progressos da saúde da mulher e criança.

O número de mulheres que morrem devido a complicações de gravidez e parto reduziu para cerca de dois terços nos últimos 25 anos a de bebes ao nascer reduziu para metade. Contudo cerca de 5 mil mães e 29 mil recém-nascidos continuam a morrer todos anos devido a estes problemas no país.

Os números ainda são preocupantes. Por isso, o gabinete da esposa do Presidente da Republica e o Ministério da Saúde lançaram esta quarta-feira em Maputo a campanha de aceleração dos progressos na saúde da mulher e criança que tem como lema “todos pela vida da mãe e do recém-nascido”

A campanha tem como objectivos, segundo fez questão de explicar a primeira-dama, fortalecer as intervenções dentro do sistema da saúde bem como multissectoriais para a melhoria da saúde do recém-nascido, aumentar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde para promover e oferecer serviços de saúde Materno-Infantil de qualidade de forma integrada e continuada e reduzir as injustiças em relação as camadas mais desfavorecidas.

O Ministério de Saúde reconhece haver ainda dificuldades de documentar a mortalidade materna e de recém-nascidos, o que dificulta a tomada de medidas em relação aos factores que podem ser modificáveis para a sua redução. A título de exemplo em 2016 foram notificados pelo Ministério apenas 53 porcentos das mortes, cifra que entretanto subiu para 92 porcento em 2017.

A notificação do óbito deve ser feita até sete horas apos a ocorrência.

Outro aspecto importante apontado pela primeira-dama durante o lançamento desta campanha e’ o facto de a maioria das mortes ocorrer entre as mães jovens.

“Em 2017, 51 % dos óbitos maternos foram de adolescentes e jovens dos 10 aos 24 anos e 19 porcento de meninas entre os 10 e 19 anos” sublinhou a esposa do Presidente da Republica.

As hemorragias obstétricas são a principal causa de morte com mais de 41 % dos casos. Segue-se os transtornos da hipertensão com 18% e as chamadas complicações não relacionadas directamente com a gravidez com 17%. A sida e a malaria foram campeões nesta matéria.

As principais causas da morte dos recém-nascidos apresentados foram as complicações decorrentes de nascimento prematuro, bem como as relacionadas com o trabalho de parto.

 Isaura Nyusi terminou apelando a tomada de medidas como o inicio tardio da actividade sexual, a redução de gravidezes precoces e não desejadas, o espaçamento adequado entre os nascimentos, a prevenção e o tratamento adequado do HIV SIDA bem como a conduta correcta durante a gravidez o parto bem como nos dias que se seguem.

Intervindo na ocasião o embaixador dos Estados Unidos de América em Moçambique, um dos maiores parceiros do Ministério da Saúde, começou por Homenagear George H.W. Bush, antigo residente do seu pais falecido semana passada e cujo velório e enterro terão esta quinta-feira nos Estados Unidos, destacando-o como um da crença de que a parceria internacional poderia melhorar a qualidade de vida global, e que sob sua liderança, os Estados Unidos tinham se tornado defensores de várias iniciativas globais de saúde, particularmente na área de saúde materna e infantil.

Dean Pittman defendeu depois que o verdadeiro progresso só pode ser alcançado através de parcerias. “Só um esforço conjunto sustentado, sob a liderança e administração do Ministério da Saúde, pode fortalecer a capacidade do sistema nacional de saúde de salvaguardar as vidas das mães e recém-nascidos em todo Moçambique”. Afirmou

Pittman Disse mais adiante que as intervenções eficazes para a prevenção e tratamento de todos estes problemas são conhecidas, pelo que neste momento o importante era acelerar os esforços para prevenção destas mortes desnecessária

‘’ A vasta maioria dos 29 milhões de habitantes de Moçambique depende somente do sector público para serviços de saúde, no entanto, muitas comunidades enfrentam dificuldades de acesso à informação e serviços básicos de saúde.” Acrescentou para depois referir em jeito de conclusão que “Estamos confiantes de que o apoio, o investimento contínuo do governo e as contribuições de outros parceiros vão-nos ajudar a alcançar os nossos objectivos comuns”

Por seu turno a representante da Organização Mundial da saúde, OMS em Moçambique falou de alguns números que preocupam em relação a esta matéria a nível global.

Disse por exemplo que a mortalidade materna reduziu em cerca de 44 por cento nos últimos anos, contudo 800 mulheres continuam a morrer diariamente devido a estas complicações. Facto preocupante e’ que a maioria das mortes, 550, ocorre na Africa subsaariana.

“Em Moçambique este quadro e’ ainda mais preocupante porque mais de metade (57%) das primeiras gravidezes ocorrem em meninas menores de 18 anos, a gravidez na adolescência aumenta o risco de complicações e morte ligadas a gravidez” Disse Djamila Cabral

“E’ inaceitável que que ainda hoje morram mulheres num momento tao nobre tao bonito como o de dar a vida a um filho” acrescentou.

Em relação a mortalidade de recém-nascidos a representante da OMS disse que eram cerca de 2,5 milhões de bebes que morriam ao nascer ou durante o seu primeiro mês de vida no mundo. Destes um milhão são da Africa subsaariana. A média e de 7 mil mortes diárias.


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