Dá para digerir 14-1 com Malawi?

Se eu tivesse sido indigitado para fazer o comentário das partidas Moçambique-Malawi, em femininos, apenas escreveria: “Não há crónica dos jogos, porque não houve jogos”.
O que aconteceu, eu não poderia reportar como jogos de futebol, pois foram apenas – sobretudo do nosso lado – uns “chuta-chutas” sem nexo nem convicção. Tentar “impingir” aos leitores aquilo que se passou como sendo desporto-rei, não seria honesto da minha parte.

CONTRA-MÃO COM A EMANCIPAÇÃO
Em cima dos festejos da OMM, enquanto muitas moçambicanas se aperaltavam com lindas capulanas, o nosso futebol feminino brindava-nos com dois resultados negativos: 0-3 no Zimpeto, após um 0-11 no Malawi. Se as vitórias preparam-se e organizam-se, neste caso o que terá sido organizado?
E tudo dói mais pela diferença que apresenta em África, este mesmo país que, no voleibol de praia e basquetebol, por exemplo, conquista títulos que nada têm a ver com o “coitadismo” de que vimos falando!

É incompreensível, pois sabemos que há um esforço enorme da FIFA e da CAF em promover o futebol feminino pelo mundo. Moçambique recebe uma verba para a promoção da modalidade, cujo destino se limita a uma mini-movimentação anual que não ultrapassa os dois meses. De provinciais e distritais, não reza a história!
Em paralelo, com viagens à mistura, realiza-se uma prova que a Liga Desportiva Feminina leva a cabo e que não é reconhecida pela FMF. Esbanjam-se valores, zangam-se as comadres e...dá nisto!

De seguida, a inevitável pergunta: o que se segue? A resposta será a habitual:
“Há que levantar a cabeça e continuar (ou começar?) a trabalhar, até novas oportunidades, porque talento não nos falta”.

VERGONHA QUE NÃO DEVE MORRER SOLTEIRA
O que aconteceu nestas “brincadeirinhas”, foi a ridicularização de um jogo universal e do que se faz no nosso país. Temos dois campeonatos nacionais femininos, há sempre gente pronta a sentar-se nos camarotes ao lado das estruturas, na inauguração e encerramento, com pompa e circunstância.

Mas depois não nos explicam os “quês” e “porquês” de nos apresentarmos diante de um adversário que deveria estar ao nosso nível, com meninas claramente sem os fundamentos básicos para nos representarem. Se quando ganhamos, exalta-se o talento e o orgulho patriótico, exigindo-se prémios, ao suceder o contrário, com aberrações destas, não há espaço para responsabilização?

 

 


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