Desporto e Cultura…nos últimos parágrafos

Diz-se repetidamente que Moçambique não é, e nem quer ser uma ilha, num mundo em mutação e adaptação a novos paradigmas. Mas das intenções à prática, a distância é visível e até mensurável. É que, ao contrário da realidade e tendência crescente em todo o planeta, entre nós, o desporto e a cultura, nas intenções e no pulsar da vida do país, ocupam quase sempre os últimos parágrafos.

A prova disso está nos informes do PR, nos discursos ministeriais e até nos noticiários em que estes sectores só entram nos últimos parágrafos e, vezes sem conta, sem aprofundamento nem substância!

Dizia com grande dose de razão, o escritor Luís Bernardo Honwana, que antes dos grandes eventos políticos, tudo se inicia com a exibição da Cultura, e depois... entram em cena os assuntos sérios! O desporto vive paredes-meias com esta realidade de subalternização.


Dançar e correr...só de barriga cheia?

Diz-se que estas actividades só são exequíveis na plenitude, quando as pessoas estão de barriga cheia, com educação e gozando de saúde. Daí que, de forma simplista se apontem como prioridade absoluta, a alimentação, a saúde e a educação.

Porém, analisar o assunto apenas a partir destes parâmetros, é muito redutor, sobretudo devido à interdependência cada vez maior e mais actuante, nas sociedades modernas.

Importa aprofundar conceitos e olhar para exemplos como os de Cuba, com os mais altos padrões desportivos e culturais, em “competição” mas sem conflitos, com os outros sectores tidos como nevrálgicos. “Uma mão lava a outra, e as duas lavam a cara”!

No nosso caso, vejamos: como estaria a situação da saúde, se uma parte da verba destinada a medicamentos fosse para a prática regular do desporto nas escolas, forma segura, barata e eficaz de prevenir doenças, com enfoque para a obesidade e diabetes? E o aproveitamento escolar – está provado – seguramente que atingiria outros patamares, se os intervalos das aulas fossem alegremente preenchidos por movimentos que o desporto e a cultura proporcionam. Isso sem falar no “chega-pra-lá” às drogas e outros males. Muito desporto gera saúde, amizade e aumenta os níveis de produção.

Quanto aos benefícios financeiros directos para matar a fome, que o digam os países que regularmente organizam eventos de grande dimensão, quanto à entrada de divisas, através do turismo e transferência de talentos!

Não deixa de causar inveja a quem tanto sentiu, sente e pugna por um desporto internamente em claro retrocesso face aos “rankings” internacionais, em quantidade e qualidade, quando dos países desenvolvidos nos “bombardeiam” com estas duas áreas monopolizando atenções, prova de que são, verdadeiramente, “assuntos de Estado”!

 


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