Desporto na óptica do Papa: uma luz para a sociedade!

Não me recordo de um discurso em que algum político local tenha dado ênfase tão enquadrado ao nosso desporto, como factor motivador na sociedade, como aquele que ouvi do Papa Francisco. E os exemplos para insuficiências-chave apontadas como inibidoras de sucessos ao nosso alcance, serviram-nos como uma luva. A referência ao lado pouco valorizado dos sucessos de Maria Mutola – perseverança e não desfalecimento – deveriam passar a ser matéria de aprofundamento e estudo entre nós.
Afinal, parece que o Papa sabe de nós, mais do que nós próprios...
Passo a citá-lo:
- Maria Mutola aprendeu a perseverar, apesar de perder a medalha de ouro nos três primeiros Jogos Olímpicos que disputou. O tão sonhado título dourado veio à quarta tentativa, quando a atleta dos 800 metros venceu nas Olimpíadas de Sidney.

E eu recordo, para substanciar, uma citação de Mia Couto:
- Lurdes Mutola, nas suas actuações ao mais alto nível, nunca pediu às adversárias para partir um pouco à frente, por ser oriunda de um país do Terceiro Mundo!

 

FILÃO NA PERIFERIA

Ao Presidente Samora Machel, preocupava-lhe a necessidade da prática desportiva porque “onde entra o desporto, sai a doença”. Essa é uma componente basilar, que deveria obrigar a uma relação muito mais próxima entre os ministérios que superintendem o desporto e a saúde. Questiona-se: quanto dinheiro, e não só, se poderia poupar na saúde, se o “preventivo” desporto, sobretudo nas crianças, fosse utilizado de uma forma sistemática e controlada?

Porém, nos dias que correm, as diferenças entre os países que apostam no desporto e os que o mantêm na periferia, como é o nosso caso, reflectem-se de várias formas, que vão desde o prestígio, vantagens imediatas no turismo, até aos volumosos encaixes financeiros.

Permitam-me comparações:
Tivemos ciclones a assolar o país, nas zonas Centro e Norte. A título de empréstimo concessional, o Banco Mundial concedeu-nos 100 milhões de dólares, a serem pagos em DEZ anos, com uma taxa de juro bonificada. Entretanto de Portugal, chegava-nos a notícia de que o “passe' de um jovem futebolista do Benfica, João Félix, de 19 anos, custou, nada mais e nada menos do que 120 milhões de euros! E não estamos a falar de Ronaldo, Messi ou do nosso falecido compatriota Eusébio!

 

DESPORTO: PORQUE NÃO PRIORIDADE NACIONAL?

Os programas de aposta na agricultura e turismo, são e serão sempre válidos. Até porque temos terra arável, praias lindas e um povo hospitaleiro.

Mas... no desporto? Tivemos e temos talento (re)conhecido e vocacionado. Faltam programas sérios e modernos neste sector actualmente na periferia, apontados para um negócio altamente rentável, envolvendo clubes e empresários. O beneficiário último será o país.

Mas entre nós, reina muita descrença, com corrupção à mistura. Há falta de crer e querer, na maior parte da sociedade. E isso não pára à porta do desporto, que deveria ser uma lanterna a iluminar o caminho. Dói, ouvir as lideranças da actividade desportiva, a “darem de bandeja” a priorização a outros sectores como Educação e Saúde. Será que o desporto não é Educação e nem Saúde?  

Se temos como história real deste país, o “fabrico” de estrelas mundiais como Eusébio, Coluna e Matateu, (e estes são apenas os emblemáticos), porque não apostar forte e de forma enquadrada, para que não nos sintamos felizes e acomodados em lugares 160 e tal no ranking FIFA?

Perdoem-me, compatriotas, mas quando uma vitória sobre as Maurícias ou a Suazilândia, nos coloca num estado de alma que dá a impressão de que conquistámos o Campeonato Africano, fica clara a assunpção da nossa pequenez... Ao invés de ser um sector a render biliões ao Estado, o desporto tornou-se um encargo. Dá para entender?

Falta-nos, como disse o Papa Francisco, um maior sentido de perseverança e um querer que nos permita chegar a voos à altura da nossa história e das nossas já comprovadas capacidades!  


 


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