Dionísio Bahule estreia-se em livro com

Dionísio Bahule estreia-se em livro com

Fotojornalismo é importante quando a fotografia transmite fielmente a realidade.

O filósofo e professor, Dionísio Bahule, estreou-se esta terça-feira como escritor, com o lançamento do livro "Fotojornalismo ou A Gramática das Sensações". Uma obra onde o estreante aborda com profundidade a sua visão sobre o fotojornalismo, dissecando sobre a história do fotojornalismo no mundo desde o surgimento da mesma no século 19 até a actualidade.

Bahule, não tem dúvidas que o seu livro vai servir de instrumento para que os amantes de fotojornalismo compreendam a área em que escolheram. Em entrevista ao jornal O País, o escritor disse que a imagem fala muito mais que palavras e complementa aquilo que o jornalista ou quem tirou a fotografia vai dizer.

"Quando nós pensamos em fotojornalismo, pensamos na conjugação entre a imagem e apalavra. Mas para se chegar até aqui temos que voltar ao século 19 com o surgimento da fotografia e do cinema. E eu volto um pouco antes de Cristo que é onde para mim começa a problematização sobre a verdade com duas grandes figuras, a primeira que é Protágoras e a segunda Gorjes. O primeiro diz que a verdade é relativa, ele nega a universalização da verdade quando diz que o homem é a medida de todas as coisas. E o segundo vai dizer que não existe a verdade, porque quem vê uma coisa e depois pretende reproduzir verbalmente ele nunca e jamais saberá dizer fielmente o que ele viu, ou vai acrescentar ou vai suprimir. Portanto este é o pretexto sobre o qual o fotojornalismo vai surgindo, e é isso que eu quero trazer", disse o escritor.

Dionísio diz que o fotojornalismo tem a função de dar credibilidade ao facto, tornando assim o leitor um sujeito activo.

"O fotojornalismo é este pretexto de buscar a verdade no sentido objectivo, afinal de contas quando a fotografia surge ela rompe com as artes plásticas, porque até às vanguardas europeias, as artes plásticas eram tidas como aquelas que visavam trazer a superfície uma verdade imagética e realística, mas quando a fotografia surge, ela quebra com a obsessão das artes plásticas como aquilo que vai buscar o retrato fiel", acrescentou Bahule.

O escritor reprova o conceito de sensacionalismo e espectacularização dos factos no fotojornalismo. Bahule diz que o objectivo principal do fotojornalismo é trazer uma conjugação fiel, objectiva, lógica e epistémica entre a verdade enquanto lugar imagético, e a verdade enquanto um lugar de discurso.

 

 

 


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