“Dívidas ocultas”: Teófilo Nhangumele detido em Maputo

“Dívidas ocultas”: Teófilo Nhangumele detido em Maputo

Foi detido hoje Teófilo Nhangumele, um dos arguidos do caso das dívidas ocultas. A Procuradoria-Geral da República ainda não confirmou a informação que circula a tarde desta quinta-feira. É o primeiro arguido das dívidas ocultas a ser recolhido para as celas pela justiça moçambicana. A notícia foi confirmada à STV por uma fonte do Ministério Público que não quis ser identificada.

Para além do Teófilo Nhangumele, há mais quadro indivíduos detidos. Trata-se de António do Rosário, Gregório Leão (ex Directora Geral do Sise), Inês Moíane (ex secretária do Armando Guebuza), Teófilo Nhamgumele e Bruno Tandane.

A prisão preventiva de Teófilo Nhangumele acontece a um dia do anúncio da decisão do Tribunal de Kempton sobre o pedido de liberdade provisória de Manuel Chang, detido na África do Sul desde 29 de Dezembro.

Um dos 18 arguidos do processo que investiga as dívidas ocultas desde 2015, Teófilo Nhangumele é dos poucos arguidos que à data dos factos não tinha nenhuma ligação profissional com o Estado. Ainda assim, Teófilo é descrito como sendo uma peça chave no processo das dívidas ilegais, por ter sido supostamente a pessoa que apresentou o projecto da vigilância costeira ao governo de Armando Guebuza em 2011.

O sistema de monitoramento da costa seria desenvolvido pela ProIndicus, empresa que recebeu 622 milhões de dólares dos empréstimos ilegais. Teófilo Nhangumele também é citado como sendo uma das pessoas que negociaram a primeira tranche de pagamento de subornos e propinas que a Privinvest teria que fazer a favor de funcionários do Governo para que o projecto ProIndicus fosse aprovado.

Quando em Março de 2017 a Procuradoria-Geral da República pediu a quebra do sigilo bancário de uma empresa e de 19 pessoas suspeitas de envolvimento no caso das dívidas ilegais, o nome de Teófilo Nhangumele era um dos que constava da extensa lista.
Engenheiro de profissão, Teófilo Nhangumele foi vice-presidente da Federação Moçambicana de Futebol para a área de Marketing, num dos mandatos de Feizal Sidat.

Figura presente no facebook, Teófilo Nhangumele fez a última publicação no dia 7 de Fevereiro, na qual denunciava tentativas de invasão da sua conta. No mês de Janeiro, Teófilo fez publicações nas quais tentava negar o seu envolvimento no caso das dívidas ilegais. Além de mandar indirectas a jornalistas que associavam o seu nome às dívidas ocultas, Teófilo chegou mesmo a publicar uma conversa ao telemóvel com o jornalista Marcelo Mosse.

Além da detenção, há indicações de que o Ministério Público ordenou o confisco de bens de Teófilo Nhangumele, uma delas publicada pelo jornal Carta de Moçambique.Tal como António do Rosário, outra peça chave no processo, Teófilo Nhangumele é citado pela imprensa como sendo um dos dois moçambicanos procurados pela justiça dos Estados Unidos da América.

 

 


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