Efeitos positivos da pandemia causada pela COVID-19

Acompanhando a tendência mundial, o Governo de Moçambique respondeu à pandemia implementando medidas administrativas e fiscais que afectam o curso normal da vida económica e social. Apesar de se tratar de medidas essenciais para controlar e mitigar a propagação da pandemia da COVID-19, elas resultam inevitavelmente no abrandamento das actividades económicas. Assim sendo, a COVID-19 não só impõe como tem sido um grande desafio para os níveis sanitário, económico e social.

Um estudo feito por Bárbara Sacchitiello, em Maio de 2020, aponta três estágios dos efeitos causados pela COVID-19 a saber (i) Surto - marcado por esse período de quarentena, medidas de isolamento, crise no sistema de saúde e novos formatos de relações); (ii) Recuperação - contenção da pandemia e redução de casos, aliadas ao surgimento de novas formas de consumo e de responsabilidade social e (iii) Nova Normalidade - a retomada de novas rotinas com a ressocialização das pessoas.
 
Para o caso de Moçambicano, este cenário, mostra que o país encontra-se na penumbra entre o estágio do surto e de recuperação com maior inclinação para o primeiro. Este enquadramento sustenta-se no aumento da média dos casos de infecção, que gravitam entre as 200 e 300 infecções notificadas diariamente. Note que estes dados podem se agravar em decorrência do relaxamento das medidas de prevenção, tanto individuais com as que dependem das acções colectivas.  Uma  pandemia destas proporções só pode ser gerida de forma eficaz com a experiência. Portanto, urge viver o que se designa “novo normal”.

A Global Food, Environment and Economic Dynamics (G-FEED) faz referência a uma provável redução do Produto Interno Bruto Global no próximo século, por conta do distanciamento físico, paralisação das indústrias, menor circulação de veículos automóveis, menor poluição ambiental e outros consumos. Esta cenário, que se fará acompanhar da redução da temperatura média anual global que se situa entre 3 a 4%, pode desemborcar numa série de efeitos perniciosos social e economicamente. Contudo, este cenário calamitoso, previsto com antecedência, pode ser evitado. A possibilidade que a pandemia nos apresenta de fazer alguma coisa para alterar o quadro futuro pode ser considerado um benefício.  

Não se pretende de alguma forma sustentar qualquer ideia de que a COVID-19 é boa, mas sim trazer ao de cima os efeitos e cenários que se calculam  representar benefícios para a saúde e que antes da pandemia eram ignorados pela corrida por maior produção e produtividade, trazendo consequências negativas na saúde global a curto, médio ou longo prazos.  
 
Os artigos das revistas Business Insider, CarbonBrief, nas edições de Janeiro e Fevereiro de 2020, mostram que as necessárias mudanças na vida no geral como consequência das imposições da COVID-19, antes desconsideradas, trazem um cenário de causa e efeito positivo e reduzem os níveis poluição ambiental.  
 
Nesta óptica, a pandemia causada pela COVID-19 pôs a sociedade a rever muitos aspectos sobre a vida, dos quais podemos destacar a forma como as pessoas interagem entre si na sociedade e a sua relação com meio ambiente. Depois que a pandemia passar levantar-se-ão efeitos e cenários previsíveis e imprevisíveis. Efeitos ligados as consequências dos efeitos psicológicos e sociais resultantes do distanciamento físico, cenários do tipo de consumismo, consciência maior sobre geração do lixo, sobre a cadeia produtiva das coisas e sobre como o ser humano tem gerado um desequilíbrio no planeta.
 
O pânico e o desespero costuma ser a manifestação natural do ser humano quando este se encontra perante situações terrivelmente caóticas. Obviamente por um lado, que se perde algo, mas por outro, algo ganha outro, mas as pessoas estão tão habituadas com o modelo antigo, que só conseguem ver problemas e não as melhorias que o novo normal nos propõe a implementar por conta dos desafios actuais.  
 
Por hora, o que nos resta é ter paciência e depositar confiança na ciência.

 


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