Enquanto os masculinos discutem...

Há DOIS (pasme-se!)
Moçambolas femininos!

Um manto de nebulosidade cobre o futebol feminino no país. A Federação, entidade que deveria reger toda a modalidade, pois até recebe uma verba da FIFA, realiza um nacional, enquanto uma Comissão, auto-enquadrada, busca patrocínios para corporizar a outra. Nesta, a maioria dos clubes de referência no país, não adere.

Resultado: no final de cada ano, entre viagens pelas vias esburacadas do país e no meio de dias sem refeições, vai-se cumprindo o improvisado calendário.

Mas, verdade seja dita: sem dinheiro nem organização, numa coisa os femininos levam vantagem: enquanto os masculinos debatem o modela para o figurino de UM Moçambola, os femininos realizam DOIS Moçambolas!

NÃO PRECISA SER
BASTA PARECER!

De mão estendida, usando “slogans” do empoderamento da mulher, a LDF dá corpo a uma prova para rivalizar com a da FMF. Clube de referência, só o Costa do Sol. Os outros, entre castigos por falta de comparência e improvisos, anualmente tirando da cartola designações várias, algumas das quais bizarras: Cocoricó(s) de Wampula e da Beira, Cosmos de Maputo, Nhunguè de Tete, Viveiros de Nampula, Cachela de Morrumbene, Muélè de Inhambane ou Fanta da Beira.

Por detrás da Cocoricó da Beira – garantem-nos – está o partido que tem o símbolo do galo, o MDM. Para rivalizar, a Frelimo criou o Fanta.
O calendário ajusta-se às circunstâncias, pois as verbas prometidas nem sempre são desembolsadas, até mesmo o apoio estatal. Campos, árbitros e outras condições, vão aparecendo graças à militância e à vontade de demonstrar que a mulher não é inferior ao homem!

Do outro lado, a prova federativa é realizada num piscar de olhos, sem brilho, misturada com os juniores masculinos, passando despercebida do grande público. Pouco se conhece quanto a estrelas e técnicos. Joga-se para cumprir calendário e um desiderato da FIFA. De provinciais e camadas de formação, quase não reza a história. Todos querem jogar “ao mais alto nível”, passear e pontapear. Participação em provas oficiais internacionais, ao que tudo indica, para as vermos teremos que aguardar... sentados!

PONTAPÉS-PARA-O-CHARUTO

E dentro do campo? Qualquer relação ou parecença entre aquele espectáculo e um jogo de futebol, é pura coincidência. Numa actividade em que ao longo do ano não há tempo nem espaço para treinos específicos, em que as bolas – que rareiam - não são a companheira de todos os dias, tentar praticar um desporto cada vez mais tecnicista, como o futebol a um nível alto, não passa de pura ilusão. Os desequilíbrios são gritantes.

Aos treinadores – vimos isso – pouco mais resta senão gritar, a plenos pulmões durante o jogo: “chuta essa mer...”. Impôr sistemas tácticos, a quem não consegue dar três toques seguidos numa bola, é pedir o impossível.

O espectáculo é pontapé para a frente, com choques a despropósito, sem nenhuma noção dos fundamentos que fazem do futebol o desporto-rei.

Esta análise poderá ser vista como derrotista ou escrita por um... ultrapassado.

Em consciência, acho que o que está na base desta anómala situação é algum oportunismo político. Pretende-se que em nome da igualdade do género, as mulheres façam “corta-matos”. Que de repente tenham DOIS campeonatos nacionais, quando a movimentação regular ao longo do ano é quase inexistente. Para lá da falta de tradição, que faz com que na mentalidade de grande parte dos pais e mães, tudo não passe de uma aberração.

O futebol feminino, não tem a tradição do basquetebol, que subiu a “escadaria do sucesso” ao longo de décadas, compreendido e aceite com naturalidade e sem oportunismos. Hoje, dá cartas no Continente e obtém resultados mensuráveis, porque produz um espectáculo continuado e que até faz inveja aos masculinos.

Se há vontade real de obter resultados numa modalidade que tem expressão noutras latitudes, importa dar uns passinhos atrás, para depois caminhar com segurança. Preterindo viagens e parangonas, em benefício da criação de um “edifício” com bases e em que a sua “alma-gémea” - a bola-ao-cesto - é um bom exemplo.


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