Entre os 130 e os 30: um olá a Aldino Muianga

Entre os 130 e os 30: um olá a Aldino Muianga

O segredo do sucesso é conquistar aquilo que o dinheiro não pode comprar

In O vendedor de sonhos (Jayme Monjardim)

A cidade de Maputo completa, hoje, 130 anos de existência. Como forma de celebrar o aniversário, resolvemos, no texto que se segue, deixar ficar uma mensagem para um autor que tanto representa a capital na sua obra lá vão 30 anos. Nada ao acaso, afinal, a cidade das acácias, por via do Conselho Municipal, homenageou o escritor na Feira do Livro de Maputo deste ano. Quisemos fazer parte dessa iniciativa. 

Começaríamos esta intervenção, feita numa ocasião importante para a cidade de Maputo, por felicitar um grande autor da nossa literatura. E quando afirmamos grande, não nos referimos ao tamanho físico, é mesmo de espírito, porque aí, nesse espírito, mora a linha contínua que nos mantém sempre unidos numa atmosfera que se chama Moçambique. Mas apenas felicitar um autor que, em 30 anos de percurso literário conseguiu aglutinar todo um universo feito de fragmentos que nos caracterizam, a nós, como povo que sonha, vibra, celebra, canta e dança, mesmo quando as lágrimas são rios que não secam, parece-nos pouco, insignificante até. Por isso, ao invés de o felicitar por toda a obra que conseguiu erguer com sacrifício, suor e uma entrega árdua ao poder da imaginação, assumindo a presunção de representar o leitor moçambicano, cada vez mais sedento da sua obra, preferimos agradecer: obrigado, Aldino Muianga; obrigado por nos transportares para as letras e, a partir disso, conduzires-nos a uma infinita viagem pela nossa realidade (e cidade), que, seguramente, nos escaparia da memória sem a ficção que nos habituaste. A obra de Aldino tanto consegue nos purificar a alma com esse poder catártico, como possui uma incrível capacidade de nos devolver a nossa História, naturalmente, feita de várias estórias. E mais, os 15 livros do escritor são instrumentos que permitem aos moçambicanos e quem gosta de Moçambique conhecer o advento da construção de um país que bem sabe o valor da liberdade.

Por via da escrita de Aldino Muianga, aprendemos a ser pássaros que sabem voar bem alto e contradizer os ponteiros do tempo. Porque, a partir da obra, aprendemos que podemos recuar ao passado e projectarmo-nos para o presente sempre que nos der vontade. Então, nunca fiques com Asas quebradas porque te ter como escritor é um privilégio… a tua obra é a personificação de um ser que em cada lusco-fusco brinda-nos com a esperança ainda mais reluzente. Por isso felicitar-te é pouco. Agradecer resume todas as nossas emoções, sensibilidades, convicções e desejos, de forma sincera e autêntica, porque também sabemos dar “uma mão cheia de nós, das boas coisas que somos”, como nos diria o nosso Eduardo White.

Numa altura em que Maputo celebra 130 anos desde a sua elevação à categoria de cidade, sinceramente, consideramos estas linhas coerente. Afinal, quem não sabe que a escrita de Aldino Muianga é uma ode à cidade de Maputo e a tantos mbongolwenes que nela habitam? Quem não sabe que a obra de Aldino é um guia que nos consegue levar de pés descalços por aqueles kavieira (Maxaquene) para, em troca, nos encher de sorrisos resultantes das artimanhas desses domadores de burros de outros contextos? A forma como o nosso escritor configura a capital, os hábitos dos cidadãos e as cores da sua alma, de tão encantador, prende-nos, pois, como disse Noel Langa uma vez, Aldino Muianga não escreve o que vê, escreve o que sente. E escrever o que nos vai à alma representa o mais elevado grau do que nos sintetiza como pessoas feitas para o bem dos outros.

O Aldino é um vendedor de sonhos, sem que isso implique um retorno monetário. O Aldino é a nossa voz em silêncio, essa que, quando a conseguimos escutar, faz-nos alcançar uma dimensão mais plural da nossa singularidade.

Com efeito, agradecer-te, Aldino Muianga, é reconhecer o que ainda és capaz de fazer por esta cidade que tanto precisa de todos nós. Esta cidade que acolhe gente de todas etnias, de todas cores, culturas e origens. Uma cidade orgulhosamente moçambicana, mas humildemente aberta ao mundo. E o mundo que cá vive está consciente disso.

Obrigado por nos contares cada um dos 130 anos que Maputo tem. Pelo poder da pena, tu consegues dizer o que nos custaria uma eternidade a tentar compreender como se faz. Contigo, mais do que ser fácil, é prazeroso conhecer esta que jamais deixará de ser a pérola do Índico.

Obrigado, Aldino Muianga; obrigado, Maputo, por resistires às intempéries.


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