Ilícitos eleitorais mancham repetição de votação em Marromeu

Milhares de eleitores responderam, ontem, ao chamamento para a votação nas oito mesas montadas em duas escolas da autarquia de Marromeu. A votação teve um misto de ilícitos e tensão, mas, regra geral, decorreu de forma ordeira.

Oito pessoas foram detidas e encaminhadas, ontem,  ao Comando da polícia da República de Moçambique, na autarquia de Marromeu, durante o acto eleitoral em repetição que decorreu naquela autarquia.

Dentre os ilícitos cometidos pelos eleitores, destaque vai para a tentativa de se votar com cartões de outras pessoas, votar duas vezes e votar com recurso a Bilhete de identidade, apesar de o nome não constar do caderno eleitoral.

Outro caso não menos importante tem a ver com a destituição do presidente de uma das mesas que funcionou na escola primária completa Samora Machel. Trata-se do actual presidente da Assembleia Municipal de Marromeu, Castigo Djedje.

Os delegados de candidatura insurgiram-se contra a sua presença como presidente de uma das mesas, facto que foi duramente criticado pelos observadores eleitorais, alegando que assim não haveria transparência, tendo em conta que é parte bastante interessada do processo. Por volta das 11h00, os órgãos eleitorais substituíram Castigo Djedje.  

Tirando os aspectos acima referidos, a votação decorreu sem sobressaltos. Arrancou pontualmente às 07h00 nas oito mesas de votação instaladas em duas assembleias de voto, na Escola Primária 25 de Junho e Escola Primária Completa Samora Machel.

Duas horas antes, os 56 membros das mesas de voto que garantiram este processo já se encontravam nos seus postos, com o objectivo de preparar o material de votação, que ficou completo na noite da passada quarta-feira, com a chegada de boletins de voto e tinta indelével. Esta fase do processo decorreu sob olhar atento e orientação do director  provincial do STAE de Sofala. Trinta minutos antes da votação, já estavam todos os postos prontos para o processo e, às 07h00, iniciou a votação.

 

Contagem de votos

O processo de contagem de votos só iniciou duas horas e meia depois do fecho das urnas. Os presidentes das mesas alegaram que estavam à espera de alimentação, facto que, entretanto, viola a lei, tendo em conta que, estabelece, o processo de contagem intermédia inicia logo depois do fecho da mesa de voto.

  

Desconfianças e tensão

A plataforma de observação eleitoral Sala da Paz emitiu, durante a noite, um comunicado sobre a avaliação do processo eleitoral. O documento reporta alguns incidentes que, segundo conclui, fazem com que a avaliação seja um misto de tensão e desconfianças. “O processo eleitoral decorreu num ambiente de desconfiança e muita tensão”, refere a nota.

Ainda assim, a Sala da Paz considera que, de uma forma geral, o processo foi pacífico. “Foram reportados incidentes e pequenas irregularidades, contudo, o processo foi pacífico e ordeiro, apesar de se acreditar que, pelo número das mesas, não se justifica a ocorrência de incidentes”, avaliou.

 

Jornalista da Soico violentado

Um dos pontos que marcaram o processo de ontem em Marromeu foi a violência física protagonizada contra o jornalista do grupo Soico, Francisco Raiva. O autor é um indivíduo que se acredita ser agente das Forças de Defesa e Segurança, o qual, sem motivo aparente, partiu para violência física contra o jornalista, depois deste se ter insurgido contra a proibição de a equipa da STV exercer livremente o seu trabalho.


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