Luís Bernardo Honwana recomenda aquisição de receitas através da protecção ambiental

Moçambique ainda não é parte da agenda global, quando assunto são mudanças climáticas. Quem defende esta posição é Luís Bernardo Honwana, que, nesta manhã, esteve a debater a cerca de “Economia do ambiente e o desenvolvimento sustentável”, no fórum MOZEFO, recomendando que o país precisa fazer da protecção ambiental um factor de aquisição de receitas.

Ao longo do debate, o autor de Nós matamos o Cão-Tinhoso informou que Moçambique consta em listas dos países que mais destroem a cobertura florestal, em parte, devido à prioridade que se tem pela sobrevivência básica, o pão nosso de cada dia. “É isso que preocupa a nossa população e as nossas políticas públicas”, assumiu Honwana.

Um dos factores que contribui para o enfraquecimento da cobertura florestal, no país, de acordo com o quadro da Biofund, são as queimadas descontroladas causadas pelas populações e a falta de acções de combate contra esse mal.

Honwana referiu-se ainda a um projecto do Governo para a construção de um porto artificial de águas profundas. Na sua percepção, deve ser banido porque a Reserva de Maputo ficará afectada com a construção dessa grande infra-estrutura, sem contar que a obra pode endividar sobremaneira o país. Em vez do porto, Luís Bernardo é a favor da protecção ambiental das áreas, pois, com isso, Moçambique poderia adquirir mais receitas, com atracção para os turistas que frequentam os países vizinhos. “A protecção lucraria mais a longo prazo. Paralelamente a isso, temos que introduzir em política a ideia de que fazer bem é que dá voto. Se conseguirmos fazer com que as questões ambientais comecem a valer voto, estaremos a dar passos certos rumo ao desenvolvimento”.  

No mesmo painel, esteve Martim Faria e Maya, Director de Programas das Nações Unidas para o Desenvolvimento em Moçambique, quem considera que os países com forte protecção ambiental, com recursos no solo, subsolo ou no mar, têm boas possibilidades de as suas indústrias serem alimentas por esses mesmos recursos. O grande desafio é como adoptar modelo de industrialização focado nos recursos dos países. “Não existe tensão entre industrialização e protecção do ambiente, tudo depende da planificação do que se pretende fazer. Há que mostrar que existe modelos alternativos para atingirmos o desenvolvimento que desejamos”.

No mesmo diapasão, Taíssa Mattos, Embaixadora da Rede Global de Ecovilas, defendeu que os países precisam de bons exemplos de modo que se tenha vida sustentável. Mattos apoia a qualidade de vida com baixo impacto ambiental, afinal, o grande desafio da sustentabilidade é sociocultural.

O painel contou também com o reitor da UP, Jorge Ferrão, quem explicou que o problema da fraca protecção ambiental é a pobreza.


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