“Se quiserem ser soberanos e independentes, não se endividem demais”

Paulo Portas, antigo vice-Primeiro-Ministro de Portugal, foi o orador do segundo painel do primeiro dia do MOZEFO Young Leaders. No debate sobre “Diplomacia Económica, Novos Negócios e Juventude”, Portas começou por partilhar o momento em que seu país esteve em austeridade, por conta das dívidas. “É humilhante ter que discutir nosso futuro com entidades estrangeiras que pouco sabem sobre nós”, disse, para depois encorajar os jovens a serem bons líderes e exigirem que os governos sejam cautelosos com as dívidas. “Se quiserem ser soberanos e independentes, não se endividem demais”.

Para Portas, é fundamental que ao endividarem, os países saibam cumprir com os acordos, o que requer esforço e sacrifício.

O antigo dirigente falou dos perigos de não se honrar com os compromissos da dívida, tendo destacado a perda de confiança. “Sem confiança nao há investimento, sem investimento não há desenvolvimento, sem desenvolvimento não há emprego”.

Paulo Portas falou igualmente da diplomacia económica e referiu que os empresários podem ganhar muito com esta, na medida em que os diplomatas podem abrir espaço para internacionalização de investimentos de seus países. “A diplomacia é um dos passaportes para o desenvolvimento da economia de um país”.

Sobre a globalização, destacou a importância da economia digital e usou o exemplo da China que se desenvolveu em pouco tempo. “A China tinha 1% do comércio global, ha 30 anos, actualmente é o lider em exportação de mercadorias”.

Por outro lado, Portas desafiou a juventude a ser dinâmica. “Sejam flexíveis, a globalização é pragmática, não é ideológica”. Porque se não forem não conseguem se adaptar à mudança”, disse, acrescentando que os jovens podem igualmente tirar proveito da globalização pois nesta, boas ideias transformam-se em bons negócios mais depressa.

Visando o desenvolvimento da economia do país, desafiou-os a serem bons empresários e bons funcionários públicos, comprometidos e engajados. “Não inventem burocracias para vender facilidades”.

Voltando à globalização, Portas destacou a importância da internet não só para o país, mas também para o continente. “Moçambique pode ser uma das histórias de sucesso e África pode ser o continente com contributo mais surpreendente para o crescimento global”, disse, avançando as condições: “deve haver estabilidade política e segurança dos contractos, é fundamental para atrair investimento estrangeiro”.

Embora o país seja rico em recursos minerais, Portas considera o facto importante, mas não o suficiente bastante para garantir crescimento. Para este, é necessário criar-se políticas que atraiam investimentos. “É possível fazer bem com investimentos naturais, mas também é possível fazer sem”.

E porque o debate era voltado para a juventude, exortou a camada a apostar no país. “Não há economias prósperas sem empresas, e empresas são vocês que vão fazer. Eu acredito em África com paz, estabilidade, paz”.

E continuou: “Planeiem a vossa vida pelo caminho mais difícil, em que o vosso sucesso dependa de vocês. Façam por vós o máximo que podem fazer”.


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