Sociedade do conhecimento em debate no Fórum MOZEFO 2017

O MOZEFO tem assumido como uma das suas mensagens principais a necessidade de humanizar o crescimento económico e o desenvolvimento social em Moçambique. Normalmente, assume-se que as pessoas são beneficiárias do processo de desenvolvimento e o MOZEFO pretende quebrar esta premissa e assumir, como ponto de partida para o debate, a necessidade de que todos os cidadãos sejam agentes participativos deste processo. Ao colocarmos as pessoas no centro do debate e no centro das estratégias de desenvolvimento, estamos a afirmar que o maior recurso das nações são os seus cidadãos.

Para isto, é essencial centrar o debate no aproveitamento e potenciação do conhecimento como motor de uma sociedade mais educada, igualitária e sustentável. Neste contexto, o próximo Fórum MOZEFO, que se realiza a 22, 23 e 24 de Novembro, em Maputo, terá como tema “Conhecimento, Motivação, Acção: acelerar o caminho para o desenvolvimento sustentável”.

Para a segunda edição do Fórum, o MOZEFO tem como objectivo provocar uma reflexão alargada a partir da seguinte pergunta “De que forma as nações podem investir no conhecimento e buscar motivação para desencadear uma acção concertada, com vista a acelerar o desenvolvimento inclusivo e sustentável?”. Em particular, o debate irá focar três grandes pilares: capital humano, inclusão social e sustentabilidade ambiental.

Os economistas do desenvolvimento são unânimes em afirmar que a economia do conhecimento será o pilar fundamental do progresso económico e social das nações, no próximo século. Com a transição da economia industrial do século XX para a economia do conhecimento do século XXI, o mercado global recompensa cada vez mais as economias flexíveis, eficientes e que podem adaptar-se com rapidez às novas circunstâncias – em uma palavra, as que podem inovar.

Neste contexto, o Fórum MOZEFO 2017 pretende promover um debate que permita discutir as transformações necessárias para a construção de uma sociedade do conhecimento, com uma mão-de-obra dinâmica, altamente qualificada, capaz de moldar o mercado de trabalho, atraindo indústrias de ponta e promovendo o empreendedorismo.

A abertura ao conhecimento será determinante para que as nações possam aproveitar todo o potencial gerado pelos recursos que têm ao seu dispor. Para que isso aconteça, é necessária uma maior abertura das nações ao mundo, cada vez mais digital, inovador e competitivo. E, para tal, é essencial apostar em áreas como educação e formação profissional, de forma a preparar os cidadãos para os desafios presentes e futuros.

Para o enriquecimento do debate, o MOZEFO irá trazer a experiência e visão de destacados líderes empresariais, sociais, políticos e académicos com uma ampla perspectiva sobre o rumo que as sociedades devem seguir, para serem competitivas num mundo globalizado. Neste contexto, existem dois casos de países que se destacaram pelas enormes transformações económicas e sociais para a economia do conhecimento, nomeadamente, México e Costa Rica.

A Costa Rica está colocada no Relatório sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (elaborado pelas Nações Unidas) como um dos países com alto potencial para poder entrar na sociedade do conhecimento. Isto se deve, sobretudo, a um baixo nível de analfabetismo, uma extensa cobertura telefónica e eléctrica, um programa de informática educativa que funciona há mais de 15 anos – com prioridade para a área rural –, um programa de inglês como segunda língua nas escolas públicas e investimento estrangeiro na área da tecnologia de grande importância (Intel, que contribui significativamente para o Produto Interno Bruto do país, por exemplo). A Costa Rica também conta com um dos mais altos índices de desenvolvimento de software autóctone da América Latina.

O México, a partir de meados dos anos 90, passou pela transformação mais impressionante do comércio e da estrutura de produção na região. O factor crítico foi que o México finalmente decidiu fazer uso da sua vantagem geográfica – proximidade com a maior e tecnologicamente mais avançada economia do mundo. O estudo de caso da indústria electrónica, que tem sido uma das mais dinâmicas da economia do México nos últimos anos, é indicativo da importância de núcleos de conhecimento incipiente e lança mais luz sobre o papel das políticas públicas. A indústria de computadores e equipamento de telecomunicações de Jalisco tem atraído os provedores de serviços para a indústria electrónica e os fornecedores de partes e componentes utilizados em todo o mundo. Para tal, contribui muito significativamente um conjunto de factores estruturais como a aposta num bom sistema de ensino e uma rede de infra-estruturas de transporte que facilita muito os processos logísticos.

Neste sentido, a participação de Vicente Fox, antigo presidente da República do México, e de Laura Chinchilla, antiga presidente da Costa Rica, como oradores no Fórum permitirá a partilha destas experiências e contribuirá definitivamente para o resultado do debate em torno da economia do conhecimento.


Contactos

Tef: +258 21 313517/8

Email: opais@soico.co.mz
Local: Rua Timor Leste, 108 Baixa
Maputo- Moçambique