Uma festa à moda Stv

Antes do concerto iniciar, mesmo com a chuva a ameaçar, a expectativa era grande e cada um justificava quem lhe tinha tirado de casa: “Valdemiro José, Grace Évora, Stewart Sukuma”, chutavam os espectadores a atravessarem a entrada do Coconuts.
“Estamos aqui para curtir”, disse uma das espectadoras, acompanhada da amiga. Nada impediu que a festa acontecesse. Quando eram precisamente 22h00, exactamente a hora prevista, o microfone soou. Não era ainda a hora dos músicos, mas era indispensável alguma apresentação (e animação pelo meio) por parte do mestre-de-cerimónias. Nesse quesito, a Stv não podia ter apostado noutra pessoa, senão Emerson Miranda. Com o seu jeito peculiar, moldado ao longo dos 15 anos, o Big Boss tratou de sacudir o cepticismo que a temperatura provocava naqueles que arriscaram pela pontualidade.
O apresentador só precisou de 20 minutos para carimbar a sua marca no evento. Depois, sem ninguém acreditar, Valdemiro José – moldado num dos produtos da Stv – subiu ao palco e perguntou: “Quem essa mulher?”. Assim começava o concerto que inaugura as celebrações dos 15 anos do canal televisivo. A música eleita para as boas-vindas foi a que teve participação de Matias Damásio, por isso, talvez, uma boa recepção.
“Eu vou a South Africa” foi a música a seguir, a que prometeu estrear no evento. Cumprido. Cumpriu também com a evolução da sua carreira, resgatando dos seus quatro álbuns os melhores trunfos. A sua actuação passeou entre ritmos tropicais e tradicionais; dança e batucadas agitavam a plateia ainda tímida.
Ao mesmo tempo, o quelimanense revisitou o êxito de Camal Jivá, como que a mostrar que para ser um bom músico é necessário que haja um bom ouvido. As batidas dos K10 também fizeram parte da sua exibição – uma homenagem, diga-se, a uma das maiores bandas de sempre.
“Papa Muroga” não podia faltar no cardápio. A música foi executada com a mestria necessária, afinal era para encerrar com chave de ouro a sua espinhosa prestação. Micas Cabral tornou a música duplamente animada. Ainda que breve, foi a segunda vez que os dois dividem o palco.
Era uma actuação propositada, pois era para se apoderar do rectângulo e dos instrumentistas moçambicanos. Sim, Micas não esteve acompanhada da sua banda – os Tabanka Djaz – mas seu potencial foi suficiente para reencarnar a banda.
Já nessa altura, na altura do “Isso é bom”, o Coconuts começava a ficar farto de gente. E já se previa que a chuva ia perder este jogo por 15 bolas a zero.
Antes de cantar a música que todos queriam ouvir, deu uma volta ao último álbum de Matias Damásio. A justificação é simples e fez questão de partilhar: rende-se ao poder de composição do angolano. E ele não é o único, os moçambicanos também se rendem por isso vibraram com a voz do artista.
Na última música, não houve quem não dançou. Aliás, os que não dançaram optaram por cantar com o guineense. Ele despediu-se com “Foi assim”, mas a vontade era ali continuar. Num dos momentos do show disse ter tido impressão do tempo ter voado. Mas antes da sua tristeza cair por terra, VJ, como que a retribuir a sua generosidade, voltou ao palco para queimar os últimos cartuchos da música mais bem conseguida dos Tabanka Djaz. Os dois, numa brincadeira típica desses eventos, dividiram o público em duas partes e formaram as suas equipas. O grupo que cantasse mais alto vencia a aposta. Sem se apurar o legítimo vencedor, todos voltaram a cena e seguiram o coro até os dois sumirem do palco.
Já eram 23h30… seguiram-se alguns minutos de arrumação do palco. A seguir, gritos e aplausos vinham de todas as partes. Assim o público recebia uma das vozes que não passa despercebida quando o assunto é música dos PALOP: Grace Évora.
A sua actuação parecia comandada por um DJ, mas não… a banda, caprichosamente afinada, trocava de música e ele, com a voz bem apontada, dava certeiros golpes aos que acompanhavam sua música. Outros, aos pares, preferiram riscar o chão. Não houve uma música sequer que não foi aplaudida com toda e devida força.
Stewart Sukuma foi o último a subir ao palco. O músico preferiu seguir com a sua banda: Nkhuvu. O nome da banda, curiosamente, significa festa. Foi o que houve. A moçambicanidade voltou ao palco, já representada pela marrabenta. Com a sintonia que acostumou seus fãs, Stewart e a sua fiel banda conduziram o espectáculo até aos últimos momentos.
E porque Stv é o retrato de Moçambique, o artista com uma estrada de 35 anos juntou-se aos outros três para exaltar o potencial cultural do país e desta forma deram-se os primeiros passos rumo aos 15 anos da STV.
No final, os músicos disseram que foi uma festa bonita porque o público esteve presente e reagiu positivamente ao concerto. Os quatro escolhidos para inaugurar essas celebrações agradecem a Stv pelo convite e pelos 15 anos, desejando muita força e mais eventos do género.


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