Estádio do Zimpeto: quando todos ralham...

Imaginemos o Estádio do Zimpeto com todos os espaços adjacentes alugados, jogos, treinos, provas de atletismo regulares, pedidos insistentes para a efectivação de eventos culturais e cultos religiosos, desta forma produzindo lucros consideráveis. Ao que estaríamos a assistir?

Secretaria de Estado do Desporto e FMF – e porque não Federação de Atletismo – ao invés de “sacudirem” a responsabilidade quanto à gestão, protagonizariam um diálogo no sentido inverso, reivindicando os “galões” de proprietários do recinto. Portanto tudo neste momento, se resume à questão de quem assume o enorme peso dos prejuízos com a manutenção.

Lá diz um velho ditado, “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”...

Recuemos ao tempo do surgimento da ideia e ao “corre-corre”, para brilharmos no Continente e no Mundo, dando corpo aos X Jogos Africanos. Queríamos e conseguimos, em dois anos, edificar um dos mais belos estádios de África. O que não foi ponderado? Os factores cruciais para a sua rentabilidade. Importava cortar a fita e o resto... logo se verá!
 


CAUSAS E EFEITOS

O primeiro e talvez o maior “pecado” do Estádio do Zimpeto, é o da sua localização. Um estudo em redor do facto de ter sido instalado numa zona que não é mais do que um “dormitório” dos citadinos que trabalham na capital do país, deveria ter sido equacionado. Os outros residentes, têm como preocupação central o negócio, muito particularmente a venda e revenda num dos mais mediáticos mercados nacionais e que leva o nome do bairro.

E como se esses factores não bastassem, o imponente Estádio foi instalado no principal corredor de saída da Cidade de Maputo, o que torna muito problemática a locomoção de quem entra e sai e extremamente desconfortável para quem se quer deslocar para assistir aos eventos. São horas na estrada, num “pára-arranca” moroso e dispendioso, que bastas vezes acaba por obrigar os adeptos a optarem pelo conforto do sofá em casa ou noutros lugares, por vezes (bem) acompanhados de uma geladinha. Isso para além dos custos em combustível, que acabam sendo superiores ao preço dos ingressos.

Infelizmente para o nosso futebol, os nossos bolsos e o nosso fanatismo, nada têm a ver com o que se passa em muitos países da Europa e de outros cantos do Mundo, em que um “derby”, motiva os amantes do pontapé na bola, a deslocações terrestres e aéreas, de forma a terem acesso ao papelinho máximo do ingresso!
 


COMO “DESBRANQUIFICAR” O ELEFANTE?

O espaço inicialmente previsto para a construção do estádio era o da Rádio Moçambique, na zona central da Matola. Se isso tivesse acontecido, outro galo estaria agora a cantar. Ao que tudo indica, outros interesses – até agora não concretizados – se sobrepuseram!
Nesta altura, importa encontrar soluções realísticas e que terão a ver com factores conjugados, a partir de iniciativas que confiram mais interesse ao local, melhores e mais mediatizadas realizações que despertem interesse aos citadinos a frequentarem a infra-estrutura, não só pelo que ela representa, mas pelo impacto do que passaria a enquadrar. Faz pouco sentido que moçambicanos considerem obrigatória em Portugal a visita aos míticos Estádios da Luz ou Alvalade, sem nunca terem posto os pés no nosso Zimpeto.

“Desbranquificar” o Zimpeto, passa pela realização regular de grandes eventos, que aglutinem e nos “obriguem” a visitá-lo. A ocupação dos espaços em redor, viria logo a seguir. Não vai ser fácil, mas o desporto sempre nos habituou a pugnar por coisas difíceis...

Pessoalmente e ao meu baú de recordações, vêm-me as memórias de realizações que “casavam” num mesmo dia provas de atletismo e ciclismo, lançamento de pára-quedistas, música com renomados artistas e por aí fora. Os mufanas, chamados de sócios da Federação, sobretudo os da zona, preenchiam uma das bancadas. Era festa obrigatória em datas festivas, e não só, muito mediatizadas pela Comunicação Social.

Mais do que encontrar “donos” para o Estádio do Zimpeto, importa buscar, de mãos, dadas soluções que rentabilizem o Monstro, de forma a que a sua manutenção seja regular e o seu adormecimento e degradação não se tornem permanentes.

 

 


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