Estevão Chissano entre os 50 artistas que actuam na abertura do Xiquitsi

Estevão Chissano entre os 50 artistas que actuam na abertura do Xiquitsi

Logo à noite, inicia a segunda série da sexta Temporada de Música Clássica de Maputo – Xiquitsi. No espectáculo de ópera que vai começar às 19h30, no Teatro Avenida, estarão 50 artistas, todos unidos numa causa: fazer desta série inesquecível.

Entre os 50 artistas que subirão ao palco do Avenida, na cidade de Maputo, encontra-se um dos melhores alunos do Xiquitsi, Estevão Chissano, que na ópera Orfeu nos infernos interpreta o papel de John Stys, personagem da nobreza e que vive das aparências. Letrado, Stys sabe usar as palavras para enganar a opinião, portanto, um ordinário.

John Stys, na verdade, é um empregado de Plutão, personagem que conduz Eurídice, mulher de Orfeu, para o inferno. Uma das tarefas de Stys é guardar a Eurídice, de modo que nenhum intruso a encontre.

Referindo-se ao texto de Jaques Offenbach, Estevão Chissano adianta que a peça é uma extensão daquilo que muitas vezes está contido nas pessoas. “No texto de Offenbach, o que na terra se proíbe, no inferno é permitido. Penso que esta peça é o quadro dos nossos desejos mais profundos”.

Segundo Chissano, nunca o coro do Xiquitsi sentiu-se tão pressionado durante a preparação de um espectáculo. Para o compositor, Orfeu nos infernos é uma obra tão exigente que os ensaios para peça começaram nos finais de Abril. O encenador da ópera, Paulo Lapa, reuniu-se com os alunos do Xiquitsi logo que terminou a primeira série da temporada deste ano. “Entretanto, há um mês começamos os ensaios intensivos para colocarmos as coisas com mais substância. E estamos a prender muitas coisas sobre encenação ou coreografia. E para nós é fundamental porque o artista deve estar pronto para estes desafios”, afirmou Chissano, quem entende que o compositor de Orfeu nos infernos tira o pano sobre o sagrado no texto, pois critica muito a divinização da própria divindade.

Ainda na percepção de Estevão Chissano, Orfeu nos infernos é uma mostra de que nunca se ama alguém acorrentado. “Isso não é amor, é dependência ou outra coisa. A Eurídice está à busca do amor, o que envolve liberdade. Nunca se ama sem liberdade. O amor é sinónimo de harmonia em quem ama e no seu meio circundante”.

Por fim, Chissano realçou que como aluno tem a sorte de estar a trabalhar com pessoas de alta qualidade no Xiquitsi. “Não estaríamos a levar a ópera ao palco se não tivéssemos qualidade. Os professores que trabalham connosco são uma espécie de inspiração porque trazem o melhor do mundo para o país. Espero que Moçambique também possa ter a capacidade de perceber que os artistas nacionais já se apresentam com protagonismo no estrangeiro”.

 


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