FMI fala em nova "janela de oportunidades" na economia moçambicana

FMI fala em nova

Depois de um longo período de desequilíbrios macroeconómicos, precipitados pelas chamadas "dívidas ocultas", o FMI afirmou esta quinta-feira, que os novos desenvolvimentos abrem uma nova "janela de oportunidades" para economia.

No seu relatório "Perspetivas Económicas para a África Subsaariana", divulgado esta quinta-feira, em Nusa Dua, durante os encontros anuais com o Banco Mundial, na Indonésia, o FMI reafirmou as anteriores projecções sobre sinais de melhoria da economia moçambicana.

Os avanços recentes no dossier da paz, ou seja, o início neste mês de Outubro do processo de integração dos homens armados da Renamo, são apontados pelo Fundo Monetário Internacional como factores determinantes na performance económica do país.  

Angola, após um período de recessão económica, está na mesma situação que a de Moçambique, no toca aos indicadores do Produto Interno Bruto (PIB). O FMI aponta a melhoria da governação naquele país lusófono, que soube "lidar com os antigos problemas", refere.

No geral, o relatório de 68 páginas daquela instituição financeira internacional, alerta para um conjunto de desequilíbrios nas economias africanas, destacando que o panorama varia substancialmente de país para país.

Admitindo dificuldades em analisar o continente como um todo, os economistas do FMI sublinham que o principal problema que atravessa a região da África Subsaariana é o crédito malparado que subiu significativamente desde a descida dos preços do petróleo, em meados de 2014.

“Alguns países fizeram recentemente alguns progressos na redução do crédito malparado (Guiné Equatorial, Guiné-Bissau), fortalecendo as reservas de capital (Angola, Gana, Moçambique) ”, lê-se no relatório daquela instituição da Bretton Woods, consultado pelo "O País".

Acrescentando, que "a redução sustentada deste crédito que os bancos têm dificuldade em cobrar requer estratégias abrangentes de redução”, apontando três riscos principais às previsões macroeconómicas.

“Apesar de o crescimento mundial continuar a expandir-se sustentadamente, o crescimento das tensões comerciais, a previsível normalização monetária e a volatilidade nos mercados de activos ensombram as perspetivas para a África subsariana, que deverá crescer 3,1% este ano e 3,8% em 2019, uma previsão ligeiramente inferior aos 3,9% previstos em Abril para este e o próximo ano", indica o documento.

No entanto, para o FMI, este crescimento “não será suficiente para a região tirar partido do seu dividendo demográfico, já que a criação de emprego ficará provavelmente abaixo das necessidades para absorver os jovens a entrar no mercado de trabalho”.

O FMI estima que 100 milhões de pessoas cheguem à idade de trabalho, definida entre os 15 e os 64 anos, entre 2030 e 2035, “excedendo a média do resto do mundo, o que significa que a região precisaria de criar 20 milhões de empregos todos os anos entre 2018 e 20135, o que é o dobro da média de novos empregos criados nos últimos cinco anos”.

Para resolver este e outros problemas, a instituição recomenda uma série de passos que incluem a melhoria da gestão da despesa pública, entre outros, e destaca um conjunto de reformas para melhorar os mercados e a atratividade das economias africanas.

As principais reformas de mercado a serem implementadas nos países da África subsariana incluem a melhoria da regulação dos produtos de mercado e o encorajamento da concorrência (Angola, Costa do Marfim, África do Sul), garantia de fontes fiáveis de inputs industriais como eletricidade (Angola, Costa do Marfim, Nigéria), melhorar a eficiência e as finanças das empresas públicas em sectores importantes (Angola, Camarões, Costa do Marfim, África do Sul) e melhorar o acesso ao crédito (Angola, Camarões, Nigéria).

Sobre as tensões comerciais entre os Estados Unidos e outros países, o FMI diz que isto pode significar uma perda de 0,5 pontos percentuais no PIB de África entre 2018 e 2021, num total de 1,5% da riqueza nestes quatro anos, afetando principalmente as economias dos países exportadores de matérias-primas e dos que estão mais integrados nos mercados globais.


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