Fundação Fernando Leite Couto reformula cachê dos artistas

Fundação Fernando Leite Couto reformula cachê dos artistas

A Fundação Fernando Leite Couto (FFLC) reformulou o cachê dos artistas. Antes da COVID-19, os cachês variavam entre 15.000 e 20.000 meticais por evento, independentemente do número de artistas. Agora, cada artista ganha, individualmente, 4.500 meticais. Com esta reformulação, a FFLC procurou proteger os artistas.

 

Ao longo dos últimos quatro meses, o Estado de Emergência prorrogado três vezes, pelo Presidente da República, trouxe implicações negativas ao sector artístico no país. Quer os artistas, quer todos aqueles que vivem ou trabalham com arte ressentem-se dos efeitos da COVID-19. Com a Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), na cidade de Maputo, não foi excepção. Neste novo contexto, a instituição teve de se reinventar, inventando um novo espaço de expressão do artista. Assim, os eventos que antes contavam com a presença do público, no espaço daquela instituição cultural, passaram a ser produzidos para serem exibidos pelas redes sociais. A acção, naturalmente, surgiu com consequências financeiras.

Como lembra Pablo Ribeiro, as artes precisam que a economia funcione para que possam existir. Na percepção do Director da FFLC, através das artes, os investidores vão se expressando. Estando a economia mal, devido à COVID-19, houve impacto negativo no funcionamento normal da FFLC, que viu um terço do seu orçamento anual reduzido. Esta redução fez-se sentir no cachê dos artistas, que, naquela instituição, antes da pandemia, variava entre 15.000 e 20.000 meticais, dependendo das actividades. Actualmente, a FFLC disponibiliza um orçamento de 4.000 meticais por artista, mais 500 meticais de ajuda de transporte. Portanto, 4.500 meticais, no total, por actividade. O máximo que se consegue para três artistas é de 13.500 meticais. Por causa na nova condição, inclusive, a equipa da FFLC, que ficou reduzida, sofreu cortes salariais.  “Eu diria que o primeiro impacto foi o rendimento para os artistas. Se um electricista, um médico ou um canalizador tem um emprego, que pode ser fixo ou informal, o artista precisa de um festival ou de uma casa de cultura ou de uma sala para poder representar o seu trabalho”. Não havendo no modelo tradicional, eis uma das consequências.  

Só para se ter uma ideia, a FFLC tem uma média de 150 eventos por ano. Desta média, quatro a seis artistas trabalham por evento. Quer isto dizer que, num mês, a instituição permitia que entre 50 e 60 artistas tivessem parte do seu rendimento mensal através do cachê pago por uma actividade feita ali no número 961 da Avenida Kim Il Sung. Entretanto, com o Estado de Emergência sem grandes relaxamentos para as casas culturais, como aconteceu com outros espaços, a FFLC teve de suspender actividades programadas.

A nova condição, segundo Pablo Ribeiro, implicou duas coisas. Primeiro, uma redução na quantidade dos artistas que poderiam produzir, ou seja, a média de 50 a 60 artistas que poderiam produzir, agora, baixou para 20 ou 25 artistas. Mais ou menos metade. E o director da FFLC explica porquê: “a produção de um evento em espaços de confinamento tem limitações de distanciamento, de higiene e de produção. Não podemos fazer um evento numa sala de espectáculos, com todas as condições que teríamos nessa sala. Temos de passar a fazer o evento num espaço fechado, com condições de filmagens que têm condicionamentos em termos de capacidade”.

Em segundo lugar, Pablo Ribeiro explica que o artista teve de repensar o seu conteúdo de espectáculo, de modo que pudesse apresentar-se ao público virtualmente. Assim, ao invés de uma hora ou duas, os eventos da FFLC passaram para lives de 30 minutos em média. E as mudanças não ficam por aí: “Em termos de produção, antes tínhamos um palco, com equipamento de som e luz. Agora, temos de ter uma câmara, um sistema de captação de som, uma iluminação própria e passamos a fazer produção audiovisual. Para alguns de nós, que têm essa capacidade financeira, ainda conseguem contratar serviços que fazem esse trabalho, especializado em filmagem e edição. Outros, como a FFLC, a 16Neto e outras instituições, que trabalham com meios próprios, o que fizeram foi utilizar os telemóveis ou as câmaras fotográficas que já tinham disponíveis para continuar com o trabalho”.

O derradeiro desafio, nestes quatro meses, de acordo com Pablo Ribeiro, foi a relação com o público. Os eventos, na FFLC, podem receber entre 50 e 120 pessoas. Porém, no online, a instituição passou a ter um espaço ilimitado em termos de quantidade e alcance do público, a nível nacional e no estrangeiro. “De eventos que poderíamos ter até 120 pessoas, em alguns chegamos a ter mais de 4 mil a acompanharem as nossas actividades, dentro do solo moçambicano, africano e na América Latina. São pessoas que conseguem ver, através das redes, um pouco da cultura moçambicana”.  

 


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