Gilberto Mendes antevê ano promissor para o teatro moçambicano

Gilberto Mendes antevê ano promissor para o teatro moçambicano

À imagem do que afirmou há dias Venâncio Calisto, encenador laureado figura do ano do Prémio Artes e Cultura para categoria de teatro pela Associação Kulungwana, Gilberto Mendes também entende que 2018 foi um ano muito produtivo para arte dramática. Concorreu, nesse sentido, a execução de espectáculos interessantes, como “Mwango e Mwanga a partir de Bastien und Bastienne, de W. A. Mozart”, exibida no fecho do ano da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM.

De acordo com Gilberto Mendes, houve, ano passado, um incremento de produção audiovisual. “Nós, os actores, normalmente usamos o teatro como campo de treino para fazermos cinema e televisão. E, a este nível, houve também um incremento de seriados e telenovelas que vão sair nos próximos meses. 2018 foi sem dúvida um ano muito produtivo”.

E, de tanto produtivo que foi, segundo o actor, 2019 promete porque muito do trabalho que começou ou foi produzido ano passado vai sair neste: “além de telenovelas e filmes, vão sair seriados também, feitos por actores de teatro. Digo de teatro porque existe um cinema que é feito por actores esporádicos no país”.

Mendes encara 2019 como o ano da conquista audiovisual, em que os actores vão procurar fazer com que a arte dramática passe para o pequeno ecrã e tenha a capacidade de impulsionar a adesão às salas, de modo que surjam mais grupos constantes a fazer teatro, afinal “não tem existido nenhum outro grupo, com a excepção de Gungu, que tem conseguido estar em cena todo o ano. Não tenho memória de uma outra instituição cultural que fica em cena durante todo o ano, com os seus próprios espectáculos. Portanto, o desafio é que os grupos teatrais moçambicanos consigam fazer o mesmo que a Companhia de Teatro Gungu ou que pelo menos aproximam-se dela, com muito público”.

Como forma de os grupos alcançarem a proeza da Campanhia Gungu, Gilberto Mendes propõe que os artistas do drama tenham muito foco, porque não é fácil estar tanto tempo em palco. “Nós somos capazes de ir para o Guinness, porque mesmo a nível internacional, não tenho memória de um grupo que tenha ficado 26 anos de forma interrupta nos palcos. E a arte dramática não é aquela arte popular como a música, como a dança. Por isso nos sentimos com uma sensação de dever cumprido. Sabemos que é complexo montar um espectáculo, manter a coesão, a coerência de textos e a linha de trabalho do grupo, fazendo com que o público se mantenha fiel durante 26 anos, de sexta-feira a domingo, todos os fins-de-semana.

De tanta adesão que Gungu registou, teve de criar muitos grupos dentro da companhia, que vai alternando as peças. Se de 2017 para 2018 transitou com a peça Jogo de intrigas, tendo exibido posteriormente Amor, aguenta e My Love, de 2018 para este ano a companhia atravessou com o espectáculo Mãe coragem. No último ano todos os grupos da companhia entraram em cena. O grupo principal ficou em palco um mês, em Maputo, mas teve a oportunidade de exibir espectáculos teatrais noutras províncias do país, designadamente Nampula, Sofala, Tete e Gaza. O espectáculo escolhido para o périplo foi Jogo de Intrigas e Sexo fraco. “A ideia foi levar os espectáculos aos espectadores. As pessoas que não têm como vir a Maputo devem ter possibilidades de ver nossas peças teatrais”.

Em termos de produtividade, assume o actor, Gungu manteve o ritmo. “O nosso foco é sempre ter espectaculos em todos os fins-de-semana, e isso aconteceu ao longo de todo o ano passado. Em termo de público houve muita oscilação, muito por conta da crise. Tivemos momentos de pico e alguns momentos mais embaixo. Mas, regularmente, a sala estava sempre preenchida”. A diferença é que antes a companhia esgotava mais a sala e as peças levavam mais tempo. Com uma peça esgotada, antes, uma temporada levava seis meses. Agora, o prazo diminuiu para quatro meses. Por um lado, para dar oportunidade aos grupos de rodarem, de modo que todos os grupos possam fazer representação, e, por outro lado, porque o público já não repete tanto as peças como repetia antigamente, diminuiu o fluxo de repetições.

A peça mais concorrida do Gungu, ano passado, foi My Love, mas a que mais marcou Gilberto Mendes foi Mãe coragem, segundo o artista, das mais bem conseguidas do grupo. “A peça está com uma história muito bem alcançada. A Juju, que fez a encenação desta peça, está de parabéns, fez um belíssimo trabalho, tal como os actores, que fizeram uma excelente interpretação. É das melhores peças que Gungu fez ao longo dos 26 anos”.

A peça Mãe coragem ainda está em exibição.

 


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