Ginásios fechados obrigam cidadãos a fazerem exercícios em casa

Ginásios fechados obrigam cidadãos a fazerem exercícios em casa

Fazer exercícios físicos deixou de ser uma prática alegre e motivadora. Muitos tiveram de mudar de hábitos, uma vez que os ginásios fecharam e nem podem estar em aglomerados. Os impactos do Estado de Emergência já se fazem sentir nos proprietários dos ginásios, que falam em prejuízos incalculáveis.

Os efeitos da COVID-19 se fazem sentir em vários quadrantes da vida social. No desporto não é excepção. Se antes da pandemia do novo Coronavírus as pessoas praticavam exercícios físicos em ginásios, há dois meses e meio tudo mudou.

O presidente da República mandou fechar os ginásios, desde 1 de Abril, no âmbito do Estado de Emergência, declarado pelo decreto 11/2020, de 30 de Março, por considerar que são locais que propiciam a propagação da COVID-19.

Os ginásios estão todos fechados e os seus usuários impedidos de praticar exercícios físicos com ajuda de várias máquinas e outros instrumentos que se podem encontrar em ginásios.

Os proprietários e donos desses ginásios sentem na pele a falta de pessoas, que pagam mensalidades e ajudam nas despesas, quer do próprio estabelecimento, quer do pessoal interno, quer da renda familiar.

Fernando Luís é um dos proprietários de um ginásio da cidade de Maputo, e diz que os prejuízos são incalculáveis, tendo em conta as despesas que tem.

“Não está fácil. Desde, neste últimos três meses não estamos a fazer nada. Estamos a ser exigidos até renda para pagar, em casa também não está fácil, e não podemos deixar do lado os funcionários, temos que olhar por eles porque trabalham sempre connosco”, disse Fernando Luís

Já Abdul Bila vinha trabalhando com um grupo de 1000 pessoas, mas tudo teve que mudar desde que a pandemia chegou ao país. “Antes era mesmo muito mais alegre porque estávamos todos juntos. Aos finais de semanas podíamos nos juntar em grupo de mais de 1000 pessoas, desde os 10 anos de idade até aos seniores. Mas agora tudo mudou e é difícil porque não temos como estarmos todos juntos”, lamentou Abdul Bila, instrutor e líder de grupo de treinamento de manutenção física, para além de ser ainda treinador de râguebi.

Reinventar-se foi a palavra de ordem
Uma situação que prejudicou os usuários dos ginásios, que tiveram que encontrar outras formas de praticar exercícios físicos, já que não podem mais estar em glomerados por conta da COVID-19.
Os proprietários e donos dos ginásios foram obrigados a terem que se reinventar para conseguir permanecer em pé, embora de formas diferentes e com sortes diferentes. Alguns, preferiram alugar parte do seu material para os seus clientes, por forma a se exercitarem em casa. Outros ainda preferiram sair do ginásio para outros lugares, por forma a, dentro das medidas de prevenção, praticarem exercícios físicos.

Mas não só! A aqueles que preferiram enveredar por fazer parcerias com a comunicação social, como uma das alternativas, para manter a boa forma dos seus clientes. É o caso do professor Mário que tem estado a dar aulas de ginástica aeróbica na televisão, numa parceira com a Stv.

Aliás, sem ginásios abertos, a primeira alternativa foi recorrer às ruas, para praticar, mas com os números da COVID-19 a subirem a cada dia, houve incremento das medidas de prevenção, com proibição de aglomerados em locais públicos, bem vigiados pela polícia.

Treinar em casa ou em grupinho, solução viável
Com o cerco fechado, a opção foi encontrar soluções viáveis para não parar de praticar exercícios físicos. Por exemplo, Abdul

Bila preferiu juntar um grupinho de seis pessoas e, num lugar específico, continuarem a praticar.
Tanto ele como os seus alunos, consideram que não a melhor solução, mas é a mais viável, tendo em conta que a forma física é a que mais interessa.
Já Cristina Macie, residente em Laulane e funcionária municipal, realizava exercícios não só no ginásio, mas também na via pública, mas a polícia fez o cerco e foi obrigada a se exercitar em casa, sozinha, e muitas das vezes sem acompanhamento dos seus instrutores.

Conta que antes “saía de casa para dar uma caminhada até a praia da Costa do Sol e lá nos encontrávamos em grupo e tínhamos um professor que nos orientava nos exercícios físicos, mas a polícia nos tirou de lá e agora temos que estar em casa”. E porque não quer ficar sem praticar, optou por encontrar um espaço no quintal da sua casa para continuar a treinar.
E Tal como a Cristina, muitos outros foram obrigado a praticar em casa, uma situação que consideram não ser benéfica para eles, tendo em conta que “como todos sabemos que temos que ficar em casa para evitar a doença, então só podemos cumprir, mesmo sabendo que podemos facilmente nos lesionar”, disse Nelma Banze.

Vídeos, outra solução
Uma outra solução encontrada para fazer face a situação actual da pandemia que levou ao encerramento dos ginásios e a proibição de praticar exercícios físicos na via pública, é o envio de vídeos a muitas pessoas, para que mesmo em casa continuem a se exercitarem.

É assim, que muitos instrutores mantém a boa forma dos seus clientes, mesmo para facilitar para quando tudo estiver normalizado não terem muitas dificuldades na instrução dos mesmos. Isto porque não há alternativas a breve trecho, já que não se vislumbra um fim imediato da pandemia. O que resta agora é esperar que o governo relaxe as medidas de prevenção. Um grito que vem de quem se ressente do impacto da COVID-19, por não ter outro sustento.

Enquanto isso, os ginásio vão continuar encerrados e os aglomerados impedidos até que as medidas de prevenção sejam relaxadas e o Estado de Emergência seja levantado pelo presidente da República, Filipe Nyusi.


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