Governador do Banco Central desvaloriza relatório da KPMG

Governador do Banco Central desvaloriza relatório da KPMG

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, desvalorizou o relatório da KPMG sobre as contas do banco. “É opinião deles, nós respeitamos o trabalho deles. Mas a contabilidade do banco está em linha com as normas praticadas internacionalmente”, disse Zandamela.

Apesar de assumir que os termos apresentados pelos auditores da KPMG são importantes, disse que a sua relevância é discutível, visto que o sistema moçambicano ainda não está preparado para seguir os padrões de avaliação apresentados pelos auditores das contas do Banco Central.

No documento, a empresa de auditoria alerta que o Banco de Moçambique não consolidou as demonstrações financeiras da Kuhanha - Sociedade Gestora de Fundo de Pensões, SA e sua subsidiária adquirida durante o ano de 2017. “Esse investimento foi contabilizado pelo custo histórico. De acordo com a Norma Internacional de Relato Financeiro - NIRF 10, Demonstrações Financeiras Consolidadas, a subsidiária deveria ter sido consolidada considerando que é controlada pelo banco. Se a Kuhanha - Sociedade Gestora de Fundos de Pensões tivesse sido consolidada, muitos elementos nas demonstrações financeiras em anexo teriam sido materialmente afectados, portanto, a derrogação dos requisitos da NIRF 1 é considerada pervasiva. Os efeitos nas demonstrações financeiras consolidadas desta derrogação não foram determinados”, lê-se no relatório da KPMG.

De acordo com a KPMG, a nota 15 das demonstrações financeiras consolidadas e separadas indica que o grupo e o banco capitalizaram as diferenças cambiais não realizadas, resultantes da conversão de activos e passivos monetários denominados em moeda estrangeira e ouro, para estarem em conformidade com o Artigo 14 da lei número 1/92 de 3 de Janeiro - Lei Orgânica do Banco de Moçambique. “De acordo com a NIC 21 - Os Efeitos de Alterações em Taxas de Câmbio - todas as diferenças cambiais resultantes da conversão de activos e passivos monetários devem ser contabilizadas na demonstração de rendimento integral consolidada e separada. Por conseguinte, o total de activos na demonstração da posição financeira consolidada e separada está sobreavaliado em 24.9 biliões de meticais e os custos consolidados e separados do exercício e resultados transitados estão subavaliados pelo mesmo valor”, refere o documento.
 


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